Crônicas


         E o mundo não se acabou...

No momento atual, só uma canção me vem a mente:

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar / Por causa disso minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada / Por causa disso nessa noite lá no morro
Não se fez batucada...
Acreditei nessa conversa mole, pensei que o mundo ia se acabar / E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar...
Beijei a boca de quem não devia / Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô / E o tal do mundo não se acabou...
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada / Por causa disso nessa noite
lá no morro não se fez batucada...
Chamei um gajo com quem não me dava / E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento / Gastei com ele mais de quinhentão...
Agora eu soube que o gajo anda / Dizendo coisa que não se passou
É, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou... 



Talvez muitos conheçam os intérpretes da canção, além de estarem familiarizados como nunca com o tema. Na voz de Carmem Miranda e Adriana Calcanhoto, este atualíssimo samba ultrapassou fronteiras, sem nunca dar o crédito ao verdadeiro compositor : Assis Valente. É natural do ser humano, e observável até para mim, um espécime com 32 rotações, que todos adoram um fim do mundo. Ultrapassei alguns fins de mundo incólume, posso afirmar. Quem é da minha geração lembra de 1999. Se já não bastasse as especulações com as coincidências de número, que sempre impressionam ( eu sei, eu sei, mas só o Papa Gregório e uns incautos se lembravam que a passagem de século e milênio seriam em 2000 para 2001. Eu também sabia, mas diabos, pra que perder a festa? ) a mudança seria tecnológica! Por algum motivo obscuro, os computadores tinham o contador do ano com os dois últimos dígitos, logo, depois de 99 viria o 00, que deixaria todos os computadores inoperantes e traria o caos. Pessoas estocaram comida, com medo de algo que eles não entendiam muito bem, mas sabiam que era bem ruim. Foi uma época de medo, mas qualquer pessoa minimamente instruída sabia que esse medo era estúpido, mesmo que ele saísse na Times. O que, francamente não quer dizer muito. 


Acabou que o medo era meio infundado, as máquinas não se revoltariam e exterminariam a humanidade, nem os computadores que regulam as Bolsas de Valores e as Usinas Hidrelétricas seriam prejudicadas. A população ficou em pânico, mesmo sem saber o que era um computador e o que ele fazia, mas se passava no jornal era algo preocupante, decididamente. Crianças em casa e comida estocada. Eu vi, sério.

Aprendemos algo entre esse dois fins de mundo. Uma coisa é clara : a mídia está menos alarmista. No último fim de mundo que vi anunciaram que até os dados bancário seriam apagados. Desespero, mas não pude deixar de notar alguns olhares de satisfação.

O motivo deste fim de mundo é muito semelhante ao último. Um cataclisma que levará a sociedade como conhecemos ao caos e a destruição; um motivo meio que absurdo, mas que é repetido tanto a exaustão por “especialistas” de tv que alguns engolem; Uma crença absoluta na conexão de tantos pequenos detalhes que é necessário um sentimento de “ quero mesmo que tudo vá a merda” ou uma estupidez fora do normal; a falta de conhecimento de elementos básicos para entender o que está acontecendo, que se estende, infelizmente, a outros fatores da vida. E têm que se mencionar – o desejo do ser humano pelo fim.

Esse é o ponto mais interessante de tudo isso – o desejo pelo fim. O ser humano anseia pelo fim, não de si próprio, mas de toda humanidade. É facilmente observável : em todos os momento da humanidade o homem escreveu o fim do mundo. No Antigo Testamento, o mundo acaba para renascer de novo. O apocalipse de João fala sobre o fim, mas não um distante, como gostam de interpretar, mas próximo de sua realidade. A perseguição aos cristão na sua época era tão ferrenha e cruel que cabia um cataclisma, para separar os bons dos maus, e isto está escrito lá, obviamente, em linguagem figurada, típica de quem vive em regimes autoritários e de exceção. Não achavam que haveria mundo após a queda de Roma, e, mesmo, eu sou muito curioso sobre qual conversa que o Papa teve com Átila, o Huno, antes de invadir e destruir a civilização ocidental. Imagino que as imagens apocalípticas devem ter feito a cabeça do bárbaro. Não sei. De 999 para 1000 disseram que o mundo ia acabar também, e não duvido que esta crença motivou as cruzadas, já que nesta época a terra santa pertencia aos árabes, e os cristãos a recuperaram 99 anos depois. A peste negra também foi considerada o fim da humanidade. Matando mais de 70 milhões de pessoas, esta praga que hoje acredita -se ser, como outras, oriundas da ásia ( cortesia do Sr. Khan ) Foi o Fim do mundo para muitos. Cidades desertas, e a crença que a Dona Morte estava estava em toda parte eliminaram boa parte da população européia. E em 1899 para 1900 também houve pânico. O desenvolvimento das artes e a independência dos artistas ( estes depravados ) deixou muita gente em desespero. Sem falar de vários falsos profetas que enxergavam em desastres naturais, incêndios ( comuns na Revolução industrial ), nos poetas românticos e nas danças (? ) os sinais para o fim do mundo. Podiam incluir aí o Darwinismo e o Marxismo. Compreensível, até. As monarquias definitivamente falharam e a arte mudava a passos largos. Apocalipse? De idéias, talvez.

Não esqueçamos das guerras em seguida e da guerra fria, no qual o noticiário popular ameaçava acabar com o mundo toda semana, mas eu era pequeno. Lembro de algumas coisas como o arsenal soviético poder destruir o mundo x vezes. Mas eu não me importava. O meu Comandos em Ação, na minha opinião na época, ia dar conta. E o 11/9 foi senão, uma gafe com milhares de vítimas, por mais que eu fui acordado pelo meu pai, achando que a terceira guerra havia começado.

O egoísta homem deseja que o mundo acabe durante o seu período de vida, para que nada, nada mais aconteça após ele partir. E a nossa fixação atual por apocalipses, sejam eles meteoros, tsunamis, Nibirus, radiações, Et´s, intraterrenos, zumbis, doenças, previsões improváveis de uma civilização extinta, só mostra o desejo imenso da nossa geração em abandonar a vida em conjunto. Rejeitamos a morte, mas “se todo mundo morrer, tudo bem”.O fim do mundo é mais um espetáculo, que, ansiosos, aguardamos para ver em nossas tv´s de plasma e nos ressentir falsamente pela desgraça alheia ( somos bons nisso ) ou sermos atingidos em meio a orações e devaneios, com o orgulho dos mártires ou daqueles que fazem parte do espetáculo. Participamos do último momento, do último click, do último close deste planeta que nunca cuidamos direito, de nossas vidas que nunca significaram muito para nós, já que não somos rock stars ou artistas de cinema. Talvez o verdadeiro significado do calendário maia ( calendário significa, rusticamente falando, chamada, convocação, entre os romanos. Era quando líderes informavam as obrigações religiosas dos meses lunares ) de renovação de energias, de outro ciclo – sim, é um ciclo – que expurgue as energias negativas e comece tudo de novo. E nós precisamos muito de começar de novo, pois até aqui não demos muito certo.  
                                      

O mundo acaba sim, todo dia, para quem morre. Como acabou para Assis Valente, da música do início. Baiano, de Santo Amaro, Boêmio, Negro e possivelmente homossexual, seus versos inteligentes firmaram a base do samba Brasileiro. Gravado Por Carmem Miranda, Marlene, Luiz Gonzaga, Ney Matogrosso, Adriana Calcanhoto, Maria Bethânia, Nara Leão entre outros, viu acabar o mundo ao se suicidar, em março de 58. Deixou clássicos intocáveis, como ”Brasil Pandeiro” e “Cai cai balão” e a música supracitada, além de influenciar Moreira da Silva, Chico Buarque, Paulinho da Viola, Cartola, entre outros. Assis buscou o seu próprio fim de mundo em um frasco de formicida, por desilusão e tristeza. Esquecido, mesmo tendo ensinado o país a sambar e com letras que até hoje são relevantes e atuais. E até hoje têm uma obra reverenciada, que sobreviveu a sua parca humanidade. Vivamos, senhores. Vivamos. (Por Rodrigo Pompeu)



A voz de Joaquim Correa Cintra... Sobre a devastação das matas, aos incêndios e queimadas...

A minha conversa hoje, com o benigno leitor, é sobre uma coisa séria, uma responsabilidade coletiva: estamos preparando a desgraça para os nossos filhos, se não cuidarmos cada um de nós, dentro de nossa esfera de ação, do reflorestamento. Não é um assunto banal. Não. É uma verdade axiomática. Sim, já provou sobejamente o inigualável Euclides da Cunha, que o homem coopera enormemente na construção ou na destruição de desertos.

Seria longo demais, historiarmos, valendo-nos da exposição desse insigne patrício, as causas secas no nordeste brasileiro e da fertilidade da Tunísia, na África.

O deserto!... Que mal-estar nos causa, o simples fato de imaginarmos uma hipótese, mesmo que seja remota, de um dia termos de habitar um deserto!...

Mas estamos nesse caminho!

Ainda bem, que os governantes estejam preocupados com esse problema. Praza a Deus que os nossos legisladores não tardem em cuidar seriamente do assunto. Que venham leis enérgicas contra os devastadores de matas. Que venham estímulos poderosos para os reflorestadores. Que não tenhamos o falso pejo de copiar as coisas boas dos outros povos. Da Argentina temos muito que copiar em muitas coisas. Dos estados Unidos da América do Norte, igualmente podemos aprender muito. Por exemplo, a lei de proteção à floresta: “Se, se derrubar uma árvore, que se plante duas em seu lugar”.

Meu leitor amigo, o reflorestamento é uma responsabilidade coletiva. E a nossa responsabilidade neste setor, não é mais das lisonjeiras(...).

É, portanto, uma tarefa de todos nós. Se não quisermos que os nossos filhos ou netos tenham por herança um Brasil deserto, de solo estéril, de clima supliciante. Tudo isso está cientificamente provado que está ligado ao problemático reflorestamento: a proteção à fertilidade do solo, aos mananciais, ao afastamento do flagelo da estiagem.

Assim, pois, não podemos assistir de braços cruzados à devastação das matas, aos incêndios e queimadas, ao caboclismo no plantio das roças, à preguiça dos que n]ao cultivam racionalmente o solo. A todos inconscientes e criminosos, que por qualquer pretexto destroem uma árvore.

Reflorestar. Reflorestar é um programa de governo. Reflorestar é um problema para o povo. Reflorestar é um dever de patriotismo. Reflorestar é uma responsabilidade coletiva.

Urge formar a opinião pública e a consciência dos brasileiros. É um grande roteiro. Aliás é também uma oportunidade para todos os que quiserem ser úteis pois já foi dito por um grande pensador: ”quem não quiser passar a vida em brancas nuvens, deverá ou ter um filho ou escrever um livro, ou plantar uma árvore.

E no presente caso, não se trata de ser útil, e sim de um dever: ensinar, propagar, promover, realizar o reflorestamento geral.


Fonte bibliográfica:

CINTRA, Joaquim Corrêa. Verdade Axiomática. A Cidade: Campos do Jordão. Campos do Jordão, 13 mar. 1949. p. 1-4.




              Reescrevendo a história de um herói         bandeirante: o mito do Oyaguara

Durante o século XIX a historiografia brasileira valorizou os bandeirantes a tal ponto de qualificá-los de “heróis”. Nos livros didáticos até um tempo atrás era comum chamá-los de a “raça de gigantes”, ou seja, aqueles homens que tiveram a coragem de desbravar os sertões e expandir a fronteira, homens corajosos e virtuosos que enfrentavam as adversidades do ambiente. Os manuais escolares narravam os “grandes” feitos de conhecidos bandeirantes; porém, com o revisionismo historiográfico da segunda metade do século XX, a questão sobre os bandeirantes foi dissecada e de “heróis” passaram a “vilões”.

Os bandeirantes - os homens que participavam das bandeiras e entradas - eram principalmente paulistas, que, entre os séculos XVI e XVII atuaram na captura de escravos fugitivos, destruição de quilombos, aprisionamento de indígenas, mapeamento de territórios e na procura de pedras e metais preciosos.

Apesar do romantismo e heroísmo apresentado pela história brasileira, a realidade vivenciada pelos bandeirantes era precária. Andavam descalços, as roupas em farrapos, e era comum sofrerem de fome, doenças e ataques de animas selvagens e índios hostis. Essa dureza das expedições tornava os bandeirantes homens extremamente violentos, ambiciosos e rudes, características muito utilizadas para a escravização de índios e combate aos quilombos.


Um grande número de pessoas é incapaz de pensar sozinha, precisa de uma liderança, um herói que o diga o que e quando fazer algo. Talvez uma fraqueza do ser humano explorada há milhares de anos, pelas religiões e pelos oportunistas. Infelizmente, brasileiro é carente de heróis e brasileiro como todo ser humano procura heróis para idolatrar. 

Vou citar um herói nacional, vale-paraibano: Gaspar Vaz da Cunha, o Oyaguara. Este, vai quebrar paradigmas.

Minas Gerais ainda era um protótipo quando o taubateano Jaguara era temido em seus povoados. Matador por ofício- opinião de seus detratores- que fez (má) fama na Minas Gerais dos primeiros tempos aterrorizando a população local. Diziam que ele semeava as ruas de chumbo.

Jaguara foi comparado a um personagem da mitologia grega: Cérbero, o cão de três cabeças que guardava os portões do inferno. Pelo menos foi assim que ele foi retratado por seus desafetos em documentos históricos. Saiu de Taubaté, alcançou Campos do Jordão, atravessou a Serra da Mantiqueira até o rio das Mortes, na futura Minas Gerais. Isso tudo na última década do século XVII. Antes de transpor a Serra da Mantiqueira, o Capitão Gaspar Vaz da Cunha, fez por merecer uma estátua na Suíça brasileira: foi o primeiro homem branco a pisar em Campos do Jordão. Por volta de 1703, ao pôr os pés na região se deparou com belas paisagens e tribos indígenas. Bruto e cruel, como a maioria dos bandeirantes, logo passou a ser chamado de “Oyaguara” (algo como cão feroz ou lobo) pelos índios. 
Apesar da falta de compaixão demonstrada com os indígenas, Oyaguara é uma figura importante no descobrimento de Campos do Jordão, uma espécie de primeiro agente de turismo da história da cidade. 

Atraído pelo ciclo do ouro, Oyaguara permaneceu pouco tempo em terras jordanenses e logo migrou para seu destino final, a região de Itajubá, no sul de Minas Gerais. Chegando lá contou extasiado aos mineiros sobre a exuberante natureza, o multicolorido das flores silvestres, a elegância dos pinheirais, as águas das cachoeiras, o frio cortante e o impressionante céu azul. “Um paraíso na terra”, teria dito. Segundo outros relatos, em terras mineiras, o Oyaguara não se ocupou apenas de divulgar as belezas da futura Campos do Jordão.

Na visão de alguns de seus contemporâneos, o sertanista foi, literalmente, o terror do pedaço.

“Um taubateano cognominado Oyaguara, que pela língua da terra é o mesmo que cachorro bravo, o qual quando se embriagava tomava por empresa o fazer-se pôr a cavalo e, armado com os seus escravos, encaminhar-se por distância de mais de uma légua para este arraial, e entrava por ele dando mostras de sua bebacidade pelas bocas de suas espingardas, semeando as ruas de chumbo, e pela sua mesma boca com tais latidos que o mesmo era Oyaguara neste arraial que o Cérbero no inferno, e em tudo o mesmo, porque se o Cérbero no inferno era faminto das almas o Oyaguara nas Minas o era das vidas, em que ceava a sua fome e a de alguns amigos que se queriam valer da sua boa vontade”. (Relato de José Álvares de Oliveira em História do distrito do Rio das Mortes, sua descrição, descobrimentos das suas minas, casos nele acontecidos entre paulistas e emboabas e ereção das suas vilas). Códice Costa Matoso p. 278-79.


Segundo a obra “São Francisco das Chagas de Taubaté, de José Bernardo Ortiz, o Capitão Gaspar Vaz da Cunha, apelidado o Oyaguara ou o Jaguaretê, morador de Taubaté, foi juiz ordinário e de órfãos em 1678 e recebeu sesmaria no bairro de Piracuama, em 1700.

Em 1703 fez abrir caminho, provavelmente cortando essa sesmaria, unindo o bairro de Pindamonhangaba ao Sapucaí, o que facilitou o acesso às regiões auríferas pela garganta de Piracuama. Foi um bandeirante destemido, que partindo de Taubaté demandou o rio das Mortes no final da última década seiscentista. Incluiu-se entre os pioneiros no descobrimento de ouro nessa região, em que acampou com sua bandeira e onde os índios lhe mostraram o metal precioso no capim, sob forma de folhetas e grãos. Aí instalou ele suas lavras e se tornou um ferrenho inimigo dos emboabas.

Em um trecho do livro "Boa Ventura! A Corrida do Ouro no Brasil", lançado em 2011, o jornalista Lucas Figueiredo conta uma versão bem diferente sobre a identidade e o destino do terrível Jaguara.

José Machado, o Oyaguara, um taubateano odiado pelos emboabas, tido como “matador por ofício” e arruaceiro violento, desentendeu-se com o reinol Domingos Ribeiro. Depois da discussão, Oyaguara se refugiou na casa de um ferreiro, à espera que um tio seu, o rico e poderoso Simão Pereira de Faro, viesse resgatá-lo. O tio de fato foi ao encontro do sobrinho, mas encontrou uma turba enfurecida. Resultado: os forasteiros mataram Oyaguara e seu tio e depois botaram fogo na casa do ferreiro.


A visão crítica da História nos ensina que não devemos julgar nem bandeirantes nem jesuítas pelos parâmetros de hoje, mas entendê-los como indivíduos sujeitos às condições de sua época. 



A fama de mal não foi empecilho para que o Oyaguara fosse homenageado pelos jordanenses. O bandeirante surge como um bravo herói nacional responsável por desbravar novos limites da região da Mantiqueira. Há mais de 50 anos ele ganhou um monumento em Campos do Jordão, num dos mais valorizados centros turísticos do Brasil. Na vila Abernéssia, centro comercial, uma estátua localizada na Praça Júlio Domingues Pereira, mais conhecida como Praça da Telefônica, presta homenagem ao desbravador desde 1961. Para além de história do monumento (da qual podemos discordar, mas para isso temos que conhecer), existe um artista e uma obra de arte. E estas obras, criadas por encomenda para legitimar ideias são determinantes também para desconstruir estas ideias.

A ciência histórica não tem a função de colocar o passado no tribunal e julgá-lo. Ela visa explicar e compreender determinados comportamentos humano no tempo. Se os bandeirantes foram heróis ou vilões, depende do momento, depende do que se quer mostrar.

Certamente eles alargaram nossas fronteiras nacionais, mas também escravizaram e mataram muitos nativos, além de levar doenças que dizimaram povos inteiros.

Precisamos tomar cuidado com duas coisas: o anacronismo e o maniqueismo. Educar para a cidade e civilidade é agregar, não subtrair. Ou nós estaremos no caminho de ser o Estado Islâmico que dinamitou obras fundamentais para a construção do conhecimento e da história humana, por discordar da função destas, em relação a visão de mundo que eles têm atualmente.

O objetivo desse texto é mostrar as duas vertentes interpretativas sobre os bandeirantes. Uma baseada no positivismo, que os consideram como heróis e outra pautada no materialismo histórico que denuncia o caráter violento deles. Penso que nenhuma nem outra é a mais "verdadeira".

O importante é percebê-los dentro de um contexto, onde viveram as contradições humanas. Isso tudo sem justificar as atrocidades cometidas contra as populações indígenas. Encarar esses personagens como mocinhos ou vilões rouba-lhes a verdade histórica e a única riqueza que talvez tenham conquistado - já que, segundo os testamentos da época, comprovou-se que a maioria morreu pobre: a de ter lutado por interesses próprios e, por acaso, ajudado a traçar a história de um país.

O material aqui disponibilizado trata-se de pesquisas de terceiros, e estou colocando para análise de todos. Em tempos de desinformação em massa, é sempre bom obter fontes paralelas à grande mídia.



Fonte bibliográfica:

CAMPOS, Maria Verônica, Luciano Raposo de Almeida Figueiredo. Códice Costa Matoso. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1999.

ORTIZ, José Bernardo. São Francisco das Chagas de Taubaté. Taubaté: Prefeitura Municipal de Taubaté, 1996.

FIGUEIREDO, Lucas. Boa Ventura! A corrida do ouro no Brasil. 3. ed. São Paulo: Record, 2011.


RUBIM, Angelo, Mariana Tchmola e Pedro Rubim. Jaguara, o bandeirante faminto por vidas. 2016. Disponível em: <http://almanaquetaubate.com.br/index.php/2017/05/23/jaguara-o-bandeirante-faminto-por-vidas/>. Acesso em: 03 set. 2017.



Memórias Destruídas, Memórias Apagadas

Na Região Sudeste, existem verdadeiros museus a céu aberto onde as obras de arte se expõem aos olhos de todos, ao longo das ruas em pequenas e acolhedoras cidades erguidas entre as montanhas ou junto ao mar e emolduradas pela vegetação da Mata Atlântica. O ouro, mola propulsora do processo de desbravamento e ocupação do interior do Brasil durante a colonização portuguesa, gerou a riqueza com a qual foi construído esse patrimônio cultural. Motivados pela busca das minas de ouro e diamantes, os bandeirantes paulistas fundaram grande parte das povoações que dariam origem a muitas cidades da região.

Campos do Jordão localiza-se na Serra da Mantiqueira. Ficou conhecida como a “Suíça Brasileira” devido à atração que exercia sobre os visitantes em busca de tranquilidade, clima de montanha e uma atmosfera de cidade europeia. Seus monumentos e movimentos artísticos, históricos, as paisagens notáveis, os lugares de particular beleza, as reservas, os parques e as estações ecológicas, as localidades e os acidentes naturais grandiosos exercem forte atração, especialmente dos visitantes.

Quando o frio chega, turistas de todos os cantos invadem o alto da serra. A qualidade do clima e do ar que se respira são indiscutivelmente saudáveis. O fim de semana sempre é perfeito para quem quer curtir o inverno. É um dos destinos mais procurados, pela baixa temperatura.

Estamos aprendendo a olhar para o patrimônio como um bem que representa identidade e que exalta o valor de uma cultura, de algo que é o retrato de um tempo histórico, e de manifestações culturais. Pretendo, ao menos, alertar sobre o significado do patrimônio histórico que, além de ser um valor material e estético, conserva em si elementos da história do lugar e de sua população. Nestes últimos anos de estudos e escrita, venho me dedicando a mergulhar no universo da história e das memórias da cidade, o que tem me brindado satisfações, mas também algumas decepções relacionadas aos descasos relacionados à preservação dos nossos patrimônios históricos e das personalidades que contribuíram com a nossa história. Cada dia que passa minha preocupação cresce com o descaso pela sua memória; pois, a destruição do patrimônio histórico significa não apenas perda de qualidade de vida, mas de cidadania e de senso de pertencimento ao local e aos grupos comunitários.

O descaso com o patrimônio histórico e com a memória coletiva é gritante, revoltante e desalentador. Perdemos muito cada vez que nosso patrimônio é demolido, descaracterizado ou mutilado. É como se apagassem uma página de nossa história. São danos irreversíveis. Derrubam seus patrimônios com facilidade e mesmo com o choro de muitos a depredação continua. Infelizmente isso vem acontecendo com vários edifícios históricos de nossa cidade. Nosso patrimônio histórico, entendido como um conjunto de bens e valores representativos da região, deve ser entendido como herança do povo, como “uma página de nossa história” e, portanto, é preciso que seja visto cada vez mais como uma questão da comunidade, e não apenas do poder público, mas da sociedade como um todo. Sim, é preciso que haja uma maior conscientização por parte da sociedade. Sem as ações de órgãos como Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e IPHAC (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico), a situação seria terrível. Mas não podemos e não devemos transferir a responsabilidade da preservação unicamente aos organismos públicos. E a nossa responsabilidade pessoal, onde está? Como e quando, como cidadãos, lutamos pela preservação?

A memória coletiva da cidade de Campos do Jordão está em seus velhos edifícios. Eles são o testemunho mudo, porém valioso, de um passado distante. Servem para transmitir às gerações posteriores os episódios históricos que neles tiveram lugar e também como referência urbana e arquitetônica para o nosso momento atual. Preservá-los não só para os turistas tirarem fotos ou para mostrar aos nossos filhos e netos, mas para que as gerações futuras possam sentir “in loco” a visão de uma cidade humana e como se vive nela. É claro que, da mesma forma que a cultura usada como estratégia de mercado, priorizando questões econômicas acerca da preservação do patrimônio histórico cultural, pode ser também uma grande aliada na conservação de prédios e monumentos históricos. Entretanto, a preservação deve ter, além do caráter estilístico, embelezador, uma preocupação social com a população tradicional do lugar, que na maioria das vezes é retirada do local para que o lugar se transforme num lugar de lazer para o incremento do turismo.

Campos do Jordão não é um local onde apenas se ganha dinheiro com bares, restaurantes e hotéis, não se resume em ser apenas uma “Descansópolis” para turistas que peregrinam em certas estações do ano.
Aqui vivem seres humanos que possuem memória própria e são parte integrante da nossa história.
Por esse motivo, não passa despercebido pelos seus moradores a destruição da casa de seus antepassados, do antigo cinema, bares, clubes, imóveis sanatoriais e outros prédios históricos, como por exemplo o Palacete Olivetti. Toda essa “destruição do patrimônio” deixa nossa cidade descaracterizada, sem emoção e seus habitantes perde um pouco da identidade e identificação com o local onde vivem.

Campos do Jordão está sendo criada com um interesse estritamente comercial, através de uma tematização, ou seja, destinações turísticas recebem denominações que os identificarão no mercado, espaços estão sendo produzidos por setores econômicos, como é o caso do turismo, dessa forma criando ambientes para serem incessantemente usados pelo mercado. Esse processo leva a criação do não-lugar, da não-identidade, pois não há um vínculo com o indivíduo, não se caracteriza como um espaço de produção humana, construído a partir da relação homem-espaço, através dos tempos. São espaços não identificáveis pelo jordanense que aqui vivem, não produzem o sentimento de pertencimento, de identidade, já que são voltados para atender a lógica do mercado. É um absurdo, mas a especulação imobiliária tem sido um fator decisivo na destruição da memória histórica da cidade.

Com uns poucos pedaços da memória jordanense, hoje, ainda não preservados, correm o risco de se tornarem ainda menores.  A Santa Casa, por exemplo, tem pedaços inteiros do forro do teto arrancados, deixando parte do telhado à mostra. E com isso a água da chuva entra com facilidade no prédio, aumentando as infiltrações nas paredes. O cenário de degradação está longe de ser uma realidade distante.
Um povo sem história não existe, e para tanto é necessário conservar na memória certos fatos relevantes, para que fatos dessa natureza não caiam no esquecimento. É triste afirmar, mas o mundo civilizado esqueceu que um povo sem história não existe.

Mas porque ainda há tanto descaso em relação a imóveis, monumentos e paisagens que deveriam ser tombados e não são? E em relação aos que são tombados, mas que não têm a preservação e o restauro que deveriam ter? Denuncio as condições de imóveis e monumentos que, abandonados, sofrem a deterioração do tempo e atos de vandalismo.

Uma solução que urge é, talvez, a mudança da mentalidade.

O tombamento não é a única solução para a preservação, mas serve como um instrumento, uma forma de salientar a importância de alguns prédios ou objetos que merecem atenção especial. O ideal seria que houvesse uma maior conscientização da importância da salvaguarda de nossos referenciais, de nossa memória. Devemos preservar os patrimônios históricos não só por que são construções antigas, mas sim porque fazem parte da nossa história.

De acordo com as motivações dos turistas, classifica-se o tipo de turismo, em turismo de férias, cultural, de negócios, desportivo, de saúde, religioso. Para essa reflexão, no momento, é de suma importância a compreensão do que seja o turismo cultural. As suas características básicas ou fundamentais não se expressam pela viagem em si, mas por suas motivações, fundadas na disposição e no esforço de conhecer, pesquisar e analisar dados, obras ou fatos, em suas variadas manifestações. O turismo cultural abrange as atividades de deslocamento voltadas para a satisfação de objetivos de encontro com emoções artísticas, científicas, de formação e de informação, em decorrência das próprias riquezas de inteligência e da criatividade humanas. O turismo cultural se subdivide em dois subtipos: o turismo científico e o turismo de congressos.



No turismo científico, o interesse ou a necessidade de realização de estudos e pesquisas é o elemento motivador. São as viagens de estudo e pesquisa, as excursões científicas, de modo que o autêntico turismo científico pode realizar-se tanto em locais e regiões desprovidos da suficiente estrutura urbana, como em regiões poupadas em sua natureza primitiva, ou em locais e regiões dotados de maior nível de desenvolvimento turístico. No turismo científico, o lazer e o repouso são elementos secundários e, não raro, inexistem, em virtude da própria programação ou dos objetivos dos turistas ou visitantes.



O turismo de congressos, ou turismo de convenções, é o conjunto de atividades exercidas pelas pessoas interessadas em participar de congressos, convenções, assembleias, simpósios, seminários, reuniões, ciclos, sínodos, concílios e demais encontros que visam ao estudo de alternativas, de dimensionamentos ou de interesses de determinada categoria profissional, associação, clube, crença religiosa, corrente científica ou organizações com objetivos nos campos científicos, técnicos e religiosos, visando o aperfeiçoamento profissional, cultural, técnico, científico, etc... 


Pânico na Serra em 1910...

A história revela que o grande acontecimento de 1910 foi a passagem do Cometa Halley, que segundo registros semeou uma onda de pânico global.

Muitas especulações existiam sobre o cometa, tal como sobre o suposto efeito letal do gás de sua cauda, causaram tal perplexidade e medo, que culminou com a morte de várias pessoas que, não querendo morrer envenenadas pelo “gás letal”, preferiam se suicidar.


A mística do Halley é escrita com muitas lendas, superstições, avanços científicos e tragédias. Ele era até a pouco tempo uma espécie de popstar dos objetos astronômicos.

A visita do Halley no início do século XX foi muito comentada porque era a primeira feita com a existência de tecnologias de gravação. O cometa foi fotografado pela primeira vez e ganhou esta fama mundial.

Encontrar quem tenha visto e deixado registro do fenômeno, sempre traz surpresas da pandemia que se criou na época.

É o caso do relato de Octávio da Matta, conhecido como “Vico” que então com 10 anos na ocasião da passagem do cometa, deixou o relato abaixo, registrado em seu livro “Campos do Jordão a cidade que vi nascer”

“Em meados de junho é comum Campos do Jordão amanhecer toda coberta de geada e sob intenso frio que, logo a seguir, dá lugar a um sol brilhante e quente que se projeta de límpido céu azul.

Em 1910, contudo, o dia 24 de junho apresentou um aspecto completamente diferente do normal.

Às 9 horas da manhã tinha-se a impressão do sol estar raiando, razão pela qual toda a população olhava para o céu em busca de uma explicação que ninguém sabia dar. Uns, mais metidos a “sabidos” mas bem ignorantes, diziam que o sol estava se apagando, o que motivou um certo terror entre a criançada e mesmo entre muitos adultos.

Eu e meus irmãos costumávamos lenhar numa pequena mata situada onde hoje se encontra a Vila Guarani. Naquela manhã, como de costume, nos dirigimos para lá, mas, percebendo que algo de anormal se passava, ao invés de lenhar ficamos observando o céu. Em dado momento um de nós percebeu bem próximo ao sol uma estrela muito brilhante que parecia desprender uma chama, que logo passamos a chamar de rabo.

A estrela de rabo permaneceu vários dias visível e aumentando progressivamente, enquanto nós, os garotos, tínhamos nossos temores aumentados pelas opiniões dos adultos que pareciam cada vez mais convencidos da aproximação do fim do mundo.

Uma madrugada meu pai acordou a mim e meus irmãos chamando-nos para assistir um espetáculo realmente grandioso.
A estrela brilhava com enorme intensidade e sua cauda atingia grande parte do céu. Pouco a pouco ela foi diminuindo o seu brilho e a cauda foi diminuindo até se extinguir totalmente.

Mais tarde, em conversa com um salesiano chamado Crispim, fui informado tratar-se do Cometa Halley, visível de 76 em 76 anos, aproximadamente e que nada tinha a ver com o “fim do mundo” preconizado pelos “sábios” locais.”

Infelizmente Vico não pode também presenciar o retorno do cometa em 1985/1986, pois falecera em 13 de outubro de 1983, contudo sua cidade querida, junto com as cidades vizinhas de São Bento do Sapucaí e Santo Antonio do Pinhal se prepararam para o evento, pois esta região nos altos da Mantiqueira se tornara os melhores pontos astronômicos para observação.

Só Campos do Jordão recebeu em seus hotéis e pousadas 21 mil americanos, 9 mil europeus e milhares de brasileiros e sul americanos e de outras localidades para observar o famoso cometa.

Mas contrariando os temores e expectativas, não foi um espetáculo memorável, tal como em 1910, deixando todos decepcionados….


Fontes bibliográficas:

Narrativa: © Campos do Jordão a cidade que vi nascer, Octávio da Matta – B. L. Ferrari. 1ª edição, Campos do Jordão, 2011
Gazeta da Física – Volume 8, Janeiro 1985, Portugal
Campos do Jordão, na rota do Halley – INPE (URLib em md-m09.sid.inpe.br), 1986)



                                               Nossa História nas Estrelas

Existe uma história escrita nas estrelas. As estrelas contam histórias... Olhar para o céu é ver o passado. Olhe a noite, veja o céu em sua devasta escuridão, mas olhe além, olhe as estrelas que lhe mostrarão o passado, presente e futuro. As estrelas contam histórias de vidas, mortes, mistérios, amores, coisas terríveis; as estrelas tudo veem, nada se escondem delas...nem mesmo os segredos mais bem guardados; tudo o que elas veem elas sabem. Você nunca estará só se olhar para o céu e ver as estrelas! Olhar para as estrelas em um momento de reflexão, é como olhar a nossa história, as estrelas contam toda a nossa trajetória de vida. O incio e o fim! O passado e o futuro!

Olhar para o espaço é uma viagem no tempo, na história. É olhar para o passado. No Universo, não existe o presente, o agora, o instante atual. Tudo que vemos é passado. Quando olhamos para as estrelas, estamos vendo o passado delas. Se a estrela estiver bem longe, bem longe mesmo, ela pode até nem mais existir da forma como a conhecemos hoje - e inclusive ter se transformado em outro corpo celeste. Devido ao tempo que a luz leva para viajar no espaço, quanto maior a distância a que olhamos, mais remoto o passado que vemos. O presente, infelizmente, só será visível no futuro. 

As estrelas, são representações de algo que já não corresponde ao presente. Podemos vê-las, mas pertencem a outro tempo e outro espaço, a exemplo do que são as próprias fotografias, que nos contam histórias de algo que já não está mais ali.  Grande parte dos pontos brilhantes que vemos no céu à noite são apenas projeções de um passado muito distante, de corpos celestes ou galáxias inteiras que podem até não existir mais! Assim, todas as informações que nos chegam são de coisas que já aconteceram há bastante tempo.

Estudamos o universo através da luz de estrelas e galáxias distantes. Quando observamos uma estrela, estamos captando a luz que ela emitiu para o espaço. A luz não é instantânea, é por isto que estamos sempre vendo o passado quando olhamos para o céu noturno. A luz é uma forma de energia que viaja extremamente rápido pelos padrões terrestres com a incrível velocidade de 300000 km/s., entretanto, mesmo a luz leva um tempo considerável para viajar as vastas distâncias no espaço. Por exemplo, a luz leva 1 segundo para viajar a distância entre a Terra e a Lua, e leva 8 minutos para viajar a distância entre a Terra e o Sol. Uma velocidade com a qual é possível dar 8 voltas em torno da Terra em apenas 1 segundo. A luz das outras estrelas leva anos para chegar até nós, por isso medimos as distâncias entre as estrelas em unidades chamadas anos-luz.  Um ano-luz é a distância percorrida pela luz em 1 ano, em torno de 10 trilhões de km. Note que o ano-luz é uma unidade de distância, e não de tempo.
Mas como a distância entre os corpos celestes também é grande, pode levar um bom tempo para que a luz da estrela chegue até nós. Talvez você saiba que ao olhar para as estrelas, não está as vendo realmente, mas sim, uma representação do que elas eram no momento em que sua imagem (luz) começa a viagem, da origem até nosso campo de visão. Dependendo do quão distante a estrela está de nós, esse trajeto pode durar centenas ou milhares de anos-luz para ser concluído, o que implica que a visão que temos pode corresponder até mesmo a uma estrela que já não mais existe.

Se olhamos uma galáxia que está a 10 milhões de anos-luz de distância, nós a vemos como era há 10 milhões de anos. Se observamos um aglomerado de galáxias distante 1 bilhão de anos-luz, nós o vemos como era 1 bilhão de anos atrás. Por fim, a velocidade da luz limita a porção do universo que podemos ver. Se o universo tem 14 bilhões de anos de idade, então a luz de galáxias mais distantes do que 14 bilhões de anos-luz não teve tempo de nos alcançar. Nós podemos dizer que o universo observável se estende por um raio de 14 bilhões de anos-luz da Terra. Quando olhamos para aquelas fotos magníficas do telescópio Hubble, por exemplo, estamos vendo o universo como ele era no passado, não como ele é hoje. Quanto mais fundo o Hubble olha dentro do Cosmos, mais para trás no tempo ele vê, uma vez que a luz leva bilhões de anos para atravessar o Universo Observável. Esta característica transforma o Hubble em uma poderosa ‘máquina do tempo’ que permite aos astrônomos verem as galáxias como elas se apresentavam há 14 bilhões de anos, entre 600 e 800 milhões de anos após o Big Bang e nos permite atingir a visão do início da história do Universo.

Para nós, o tempo só anda para frente. De acordo com essa nossa realidade, olhamos para objetos no espaço como se eles fossem coisas fixas, como as montanhas ou o mar.

Uma vez que a luz tem que viajar uma distância imensa, chegará até nós muito tempo depois do evento ocorrer. Quanto mais longe algo acontece, mais tempo leva para chegar a nossos olhos.

Quando olhamos para o céu, estamos olhando para os últimos segundos, minutos, anos, séculos e milênios de distância. O universo é a mais incrível das máquinas do tempo.
Só podemos enxergar um determinado objeto se a luz, produzida ou refletida, sair do objeto e, atingindo nossos olhos, estimulá-los. Logo, podemos entender que a luz sempre gastará um determinado intervalo de tempo para deixar o corpo observado e chegar até o observador. Em situações cotidianas, as distâncias entre os olhos e os objetos são muito pequenas diante da velocidade de propagação da luz. Assim, o intervalo de tempo para que o estímulo dos olhos ocorra é infinitamente pequeno. As distâncias entre os corpos celestes e a Terra são tão grandes que o tempo gasto pela luz não pode ser desconsiderado. Assim, as imagens captadas por telescópios não são atuais, mas representam o estado do objeto observado levando-se em consideração o tempo de chegada da luz. Quanto mais longe observamos, mais para trás viajamos no tempo, o que permite estudar os primeiros “momentos” do universo. A imagem de um objeto a 5.000 anos-luz da Terra representa o estado desse objeto 5.000 anos atrás!

A estrela mais brilhante do céu noturno, Sirius, está a 8 anos-luz de distância, o que significa que quando enxergamos Sirius a vemos como era 8 anos atrás.

A nebulosa de Orion, uma região de formação estelar visível a olho nu como uma pequena nebulosidade acima das Três Marias, na constelação de Orion, está a 1500 anos-luz da Terra. Portanto, nós vemos a nebulosa de Orion como ela era há 1500 anos, mais ou menos na época da queda do Império Romano. Qualquer evento que tenha acontecido, na nebulosa de Órion daquela época para cá não pode ser observado por ninguém, pois a luz desses eventos não pode ainda nos alcançar.

Que mensagem para nós se encontra dispersa pelo universo? Que palavras são gatafunhadas pelas estrelas nos quadros de ardósia da noite escura? Podemos seguir os vestígios das raízes na nossa árvore genealógica até ao início do universo, há 14 bilhões de anos. Nessa altura, claro, não havia sinais de vida, mas o potencial da vida estava no esquema do universo, tal como o esquema de uma árvore está contido na sua semente.

Nenhum de nós é insignificante. Podemos ser pequenos e ter poderes limitados, mas conseguimos compreender a nossa história nas estrelas e sabemos que o universo não está completo sem nós.

Não se trata de uma fábula nem de uma fantasia romântica, mas de mil fatos significativos. Também sabemos que não somos apenas uma parte inseparável e necessária do universo, mas que o próprio plano do cosmos fez tudo para que acabássemos por aparecer. As teorias do Big Bang e da Evolução são reais, não contradizem o cristianismo e fazem parte dos planos divinos. O Big Bang não contradiz a intervenção criadora, mas a exige. O desenvolvimento de cada criatura não contrasta com o conceito de criação, pois a evolução pressupõe a criação de seres que evoluem. Há pessoas que leem o Gênesis e entendem que Deus agiu “como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas; Deus é mágico, lembra? Ele sacode sua varinha fantástica e puff, está explicado”.

Você já teve oportunidade de olhar para o céu numa noite estrelada? Já pensou em como o brilho das estrelas faz toda a diferença no azul escuro do céu? Tentou imaginar como o céu ficaria se não houvesse estrelas?
Com certeza, seria muito sem graça e provavelmente ninguém olharia para cima nas noites quentes de verão porque tudo já seria muito conhecido. Mas, com as estrelas a enfeitar o céu é tudo diferente! Numa noite estrelada, a claridade das estrelas sempre traz novas nuances, novos espaços para descobrir e desenhos imaginários a realizar, sensações que nos fazem sonhar acordados e agradecer a Deus por ser tão criativo e meticuloso, por pintar o céu com uma imensidão de pontinhos luminosos que enriquecem o azul escuro.

Se olharmos para o céu escuro e imaginarmos que cada estrela tem um propósito definido, uma missão única, que mais ninguém pode realizar por ela, podemos compreender completamente o que o Criador deseja: que sejam instrumentos únicos, especiais e irrepetíveis do Seu grande amor por toda a humanidade, que vive oprimida nas sombras de uma vida vazia, sem brilho, esquecidos em suas lutas diárias, solitários, vivendo de forma perversa e degradante.

Eu e você, pequenas estrelas no universo, temos um chamamento específico, temos uma tarefa que, em princípio, pode parecer insignificante diante das atrocidades do mundo sem Deus, mas que faz uma grande diferença em pessoas queridas, que são nossos companheiros no trabalho, na escola, na família e esperam, com ansiedade por um pouco de luz em suas vidas. As estrelas cantam, ainda que em vida nunca possamos ouvi-las, contemplar a magnifica beleza criada por Deus e imaginar que estas cantam jubilando sua criação é sem dúvida muito belo.


                                                                            Cantando Nossos Valores...


Meu propósito é o de fomentar uma reflexão sobre a importância das raízes culturais do povo jordanense, no sentido da afirmação de sua identidade e levantar discussões que possam vir a contribuir para o despertar da consciência coletiva sobre a importância dessas raízes. Sem dúvida, a verdadeira identidade do povo jordanense está na sua cultura. Sem ela, perdemos não apenas nossa identidade, mas nossos valores e princípios.

São exemplos das manifestações da cultura erudita: o Festival Internacional de Inverno; de pintores como de Camargo Freire ou Francisco Prohane; de compositores como Jordão e Jordel ou Condelac Chaves de Andrade, de arquitetos e engenheiros como José Roberto Damas Cintra e Eduardo Moreira da Cruz entre outras.

Quanto a cultura popular adquire dezenas de formas, a maior parte sem autores identificados, é o caso além dos contos, dos mitos, das lendas, dos festejos e diversões, das crendices e superstições e também da culinária, do vestuário e muito mais; popular, entendendo isso, como tudo aquilo que é construído pelos seus moradores. Inclui os mitos, símbolos, ritos, todas as crenças, todo o conjunto de conhecimentos e todo o comportamento, etc., portanto, conhecer e valorizar a nossa cultura são autoafirmações do que somos.

Preservemos nossa música, nosso Festival da Viola, nossas quermesses dos dias santos, nosso folclore, a Festa do Pinhão, das Cerejeiras em Flor, nossos artesãos, bordadeiras, tricoteiras e rendeiras; as lendas de nossos rios, lagos, matas, cachoeiras, morros e lombas; nosso hino, nossos símbolos, nossas frutas, ervas e plantas. Preservemos nossa literatura, começando com os livros de poesia e de história e os novos e bons autores de nossa cidade (esses cantam os nossos valores, o nosso ambiente cultural, a nossa cidade). Vamos valorizar nosso cinema, as danças populares e clássicas, como o pagode e o balet, as bandas, a fanfarra, as cantigas, as antigas brincadeiras de rua, de pular corda, lata-manteiga, taco, queimada, salva, (ao ver nossas crianças brincando, sabemos que nossa cultura está sendo preservada), e toda sorte de expressão cultural do povo montanhês – um tesouro inesgotável.



A cultura jordanense é fonte rica de diferenciais criativos e agrega valor. Parte do seu patrimônio é sua diversidade cultural, que abrange vários aspectos incluídos na hoje reconhecida economia criativa. Esta envolve diversas vertentes: folclore, música, artesanato, modos e modas de vestir e gastronomia.

Ainda existem focos de preservação e amor à nossa cultura, mas muito pouco dela resiste nas escolas tradicionais. Creio que a Educação deve assumir a responsabilidade pela preservação do patrimônio cultural da nossa infância. Acredito que a escola, detentora do papel histórico de transmitir a cultura e adequar as novas gerações aos valores e símbolos de sua cultura, deveria ser o carro chefe de toda sorte de resgate cultural, tão necessário em nossa cidade, atualmente. Esse resgate às raízes culturais, torna-o um cidadão mais sensível e consciente da sua identidade, para preservação de sua história. 


Vamos vivenciar, identificar e absorver as manifestações culturais e folclóricas de nossa querida Campos do Jordão. Também somos construtores da cultura. O município de Campos do Jordão é negro, índio, mulher, LGBT, criança, jovem, estudante e trabalhador. Campos do Jordão é miscigenação, é diversidade, é linda. Desde Vila Maria no Bairro Santa Cruz, até ao Retiro, no Horto Florestal, Campos do Jordão é povo.

Repito mais uma vez: a cultura jordanense deve ser exaltada e não extinguida, pois, um povo sem cultura é um povo sem identidade, sem raiz. Ouça a história sobre Campos do Jordão e a sua cultura, seus hábitos e suas tradições e aprenda a compreender a vida na montanha magnífica, através de seu belo povo. Vamos manter acesa a chama da identidade do povo…





                              






                          Um Caso de Amor, Uma Amizade de Altitude.

As montanhas sempre me fascinam. Nada me encanta mais do que as montanhas. Nasci numa das montanhas da Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão. Sou montanhês, jordanense.

É uma honra nascer aqui. Tenho uma relação intensa de amor com essa montanha. Sou apaixonado por ela. Essa paixão não tem limites. Não consigo entender esse caso de amor. Apenas, amo. Me sinto à vontade, em meio a grandes morros e lombas. Sou convencido do poder mágico e libertador dessa montanha. Que maravilha andar acima, se embrenhar nas matas, às vezes densa, às vezes não, e ver a paisagem sob uma perspectiva diferente. Estou apaixonado! Sinto as mais diversas sensações de estar em contato com essa natureza. Sou como um cabrito montanhês, que fica sempre nas alturas apreciando a paisagem. Há cachoeiras, lagos, beleza e mistério. O ar é mais puro. A montanha me preenche, me eleva... me faz sentir quão pequeno sou...um pequeno homem das montanhas. O prazer da vida próximo à natureza é fascinante! 

A montanha me desafia a mim mesmo, fazendo com que eu conquiste minhas dúvidas; me coloca em sintonia com a minha respiração, me fortalece fisicamente e mentalmente, libera endorfinas no meu corpo, ajuda a aliviar a tensão, me faz enxergar tudo de cima e ter uma outra perspectiva da vida, me dá autodisciplina, aumenta minha estamina, me traz um desafio saudável, me proporciona paisagens belíssimas. Isto é Campos do Jordão! 

Viver nessa montanha alta e fria me desafia. É maravilhoso e difícil de descrever. Um sentimento de paz e sensação de liberdade reina completamente. Um lugar verdadeiramente especial e um cenário perfeito para todas as estações do ano. Uma visão panorâmica de Alpes. 

Eu gosto de viver nas montanhas de Campos do Jordão. É uma amizade de altitude, de montanha! É o meu habitat convencional. Suas montanhas e serras, à distância, são azuis. Chamam-me a atenção. Sinto-me seguro, em uma aventura única de viver. Sinto e respiro seu ar salubérrimo. É inexplicável a sensação que se tem. 

As montanhas de Campos do Jordão além de fascinantes, são exuberantes, lindas e imponentes. Montanha poderosa, desafiante, estática, impávida e colossal. Elas me dão motivação e me inspiram... onde brotam as melhores flores de altitude...e inúmeros jardins encantam os olhos. Montanhas que moldam a felicidade e a simplicidade da vida. 

Escrevo nas montanhas. García Márquez disse que todo ser humano quer viver no topo das montanhas, mas a verdadeira felicidade consiste em escalá-las, dominá-las. A natureza nos lembra que não somos invencíveis... mas a fé move montanhas... a paixão move montanhas. É uma viagem ambiental. Campos planos, ou lombas, colinas, onde altas árvores mascaram os raios do sol. Todo verde, como aquelas fotos perfeitas que se acham em revistas de viagem. Campos verdes que me deixam em paz. 

Eu me apaixonei por Campos do Jordão. É a minha montanha! O dia é lindo, a sensação de frio é espetacular. É uma montanha magnífica. Sua paisagem é deslumbrante, uma visão panorâmica incrível. Morros, serras e cumes, vales e rios. Uma sensação de gratidão e plenitude. É sublime.  



 D. Domitila de Castro Canto e Mello

Viscondessa e Marquesa de Santos. Quanto à D. Domitila de Castro, na época do primeiro encontro com o Príncipe, na capital de São Paulo, tresdobrava filtros novos e violentos, amavios que Hebe lhe vertia aos donaires de vinte e quatro primaveras feitas. Não seria provavelmente uma exceção a formosura da caçula do coronel João de Castro. Dumond D’Urville, que notou o luxo e a elegância das paulistas, afirma que gozavam em toda a América de fama de beleza, modos novos e graciosidade, opinião em que incide o inglês João Mawe...

... D. Domitila era incontestavelmente dessas formosuras de conjunto, onde mesmo as minúcias irregulares antes se plasmam do que se desfazem nos planos da figura, concorrendo a fazer sobressair o traço geral do cunho, em efeitos totais de sedução empolgantes e distintos dos espalhados pela banalidade fastidiosa e insignificância paradoxal de tipos muito mais perfeitos.

... Era vê-la em 1826, por exemplo, resplandecer alta, bem-feita e garbosa, vestida de branco com debuxos de prata, manto verde bordado a ouro e por diadema o turbante ainda ouro na espadana de plumas brancas; à bandoleira o fitão exornativo, branco e róseo, de ordem de Santa Isabel; os pulsos cingidos de braceletes, e as mãos pequenas metidas nas mitenes, escorrendo anéis... A cabeça mantinha o aprumo escultural, sob o peso das cachochas ou marrafas opulentas e castanhas do toucado.

Aos seus olhos atribuía um testemunho a força de fascinação espiritual de D. Domitila sobre o Imperador: Olhos expressivos e fisionomia móvel anunciavam uma energia espiritual capaz de subjugar um jovem soberano. Na tez alva os olhos eram tudo, imensos e dotados da liquidez esverdeada, que se atribui ordinariamente às águas encantadas, profundas e venenosas. A fluidez transvasava das pupilas para lhe banhar todo o rosto de eflúvios quentes e magnetisantes... As sobrancelhas como as da Condessa de Castiglione, no retrato anônimo do museu de Ajaccio, pareciam dois traços harmônicos e vitoriosos, a pincel firme, ao longo das arcadas; o nariz dominante e recurvo, afilado em rostro de ave carniceira, no longo oval do rosto, pronunciava-lhe a voluntariosidade da alma; a boca de impressão leonardesca, ligeiramente regaçada nas comissuras em momo permanente de arrufo, significaria as absorvências do caráter... Os dentes em concreções alvas e alinhadas...

Fonte: 

Rangel, Alberto. D. Pedro I e a Marquesa de Santos. Livraria Francisco Alves. Belo Horizonte. 1916

Imagem: De uma tela em poder do Sr. Joaquim Sant'Anna. São Paulo.




Hortênsia em Campos do Jordão


Na estação do calor em Campos do Jordão, é possível se encantar com o espetáculo natural das hortênsias, flores nativas da região. Vários lugares da cidade apresentam corredores da flor e boa parte das margens da estrada de ferro de Campos do Jordão é ornamentada por elas. De diferentes cores, as hortênsias são um espetáculo para os olhos e encantam os turistas que visitam a cidade nas férias de fim de ano. 


É originária da Ásia e no Japão é considera a flor símbolo do verão nipônico; mas, atualmente cultivado como planta ornamental em todas as regiões temperadas e subtropicais. Chamada de Ajisai pelos japoneses, a flor é celebrada em diversos festivais do país e tratada como um símbolo que expressa os sentimentos mais sinceros, seja de desculpas, de agradecimento, de alegria ou de tristeza. 

Como florescem somente durante o verão quente e chuvoso, a temporada para aprecia-las é bastante curta, durando em média apenas dois meses.

Campos do Jordão apresenta um verão bastante parecido com o de algumas regiões do Japão, mas a temporada das hortênsias na cidade, talvez por se tratar de uma região de floresta tropical de altitude, dura um pouco mais, cerca de três meses e meio, indo de meados de novembro a fevereiro. E, assim como os japoneses, um festival celebra o florescer das hortênsias.

Na Suíça brasileira, onde as hortênsias são muito cultivadas e que conferem uma beleza indescritível em vários locais particulares e públicos onde estão sendo cultivadas, com a finalidade decorativa, normalmente, na primeira quinzena dos meses de dezembro, são realizadas as tradicionais "Festas das Hortênsias". Essas festas são realizadas por idealização e iniciativa da laboriosa Colônia Japonesa da cidade, através do Clube Cultural e Recreativo Cereja, com apoio da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo e da Prefeitura Municipal. São sediadas no tradicional Parque das Cerejeiras ou Recanto Sakura Home, localizado na Vila Albertina. 

Esse parque mantém um lindo e até bucólico bosque, especial para caminhadas tranquilas e reconfortantes junto à natureza e vegetação maravilhosa, ouvindo-se o melodioso canto de diversos tipos de pássaros da região, possibilitando, ainda, apreciar as flores de cada época do ano, de julho a setembro, as cerejeiras em flor e em dezembro, as lindas hortênsias. A Festa das Hortênsias costuma acontecer no último final de semana de novembro ou no primeiro final de semana de dezembro. Toda decorada com as flores, a festa é muito bonita. Durante os meses da primavera, visitantes e moradores da cidade têm a oportunidade de ver a graciosidade das flores das hortênsias, que colorem e enfeitam ruas e jardins da estância, exibindo seus tons claros de azul e violeta. Hortênsias azuladas preenchem o verde do parque e seduzem os olhos dos visitantes. O ajardinamento acolhe as caminhadas tranquilas dentro do bosque. Além de apreciar as flores, os visitantes que forem ao festival ainda contam com pratos típicos da culinária japonesa como o tempurá, o sushi e o sashimi, as iguarias da cozinha oriental; compram artesanatos feitos na cidade, além de produtos de malharia, e assistem apresentações de danças folclóricas e músicas tradicionais do Japão, além de outras atividades programadas pela organização da festa.

A hortênsia, também conhecida pelo nome vulgarizado de hidrângea, “bebedora de água”, novelão ou hidranja, é originária do Japão e da China. 

No Brasil chegou a ser difundido a pedido da família real no início do século XIX, que usou a flor na decoração dos jardins de Petrópolis e Teresópolis. Nas mãos de imigrantes italianos e alemães foram para o Sul, e hoje podemos encontrá-la nas diversas cores, um total de 40 tipos que vão desde azul, até rosas, chegando a tons de branco, lilás e violetas.

O nome Hortênsia foi dada à planta em homenagem a uma dama francesa do século XVIII, Hortense Lepante, que era mulher de um amigo do naturalista Philibert Commerson, responsável pela introdução desta planta na Europa.

Pertencem a três grandes grupos hortícolas: “Japonica”, “Hortênsia” e “Stellata”, cada um com numerosas variedades. 

O período de florada dessa planta é entre a primavera e verão, nas regiões onde a presença das chuvas é abundante, com as estações do ano bem definidas e com as temperaturas bem amenas. 

Nos Açores é considerada invasora e perigosa para a flora nativa. 

Embora as hortênsias sejam plantas de rara beleza, que se presta a diversas finalidades decorativas, inclusive depois de desidratadas e colorizadas artificialmente, possibilitando a sua preservação em decorações diversas, por grandes períodos, nunca devemos esquecer que deve ser cultivada com muito cuidado e precaução considerando que possuem o princípio ativo denominado "glicosídeo cianogênico", denominado hidrangina que lhes confere a triste e temida condição de planta venenosa. Esta sua característica, pode causar cianose, dores abdominais, letargias, vômitos, convulsões, flacidez muscular e até coma. Por esta sua característica especial recomenda-se cuidado. 

Nas montanhas podem-se observar de longe como que "muros" coloridos de hortênsias, o que impressiona os turistas pelo efeito. 

No sul do Brasil, Rio Grande do Sul, existe um lugar chamado "Região das Hortênsias", caracterizado pelo ajardinamento de casas e rodovias com esta espécie. Gramado, cidade mais representativa desta região turística, tem a hortênsia como sua flor símbolo. Em função da altitude e do clima ameno, a hortênsia está extremamente difundida em Campos do Jordão. Apenas as regiões altas e frias do Sudeste são coloridas, no outono, pelo azul e o rosa arroxeado das hortênsias que crescem em pequenos arbustos.



Cultivadas para ornamentar parques e praças nessas regiões, elas começam a se espalhar espontaneamente pelas margens de trilhas e rodovias. Embora exóticas, essas flores compõem os cartões postais de Gramado (RS), Campos do Jordão (SP), Petrópolis e Teresópolis (RJ), São Lourenço e Caxambu (MG), entre outras cidades montanhosas e frias.

                                                Um Sarau no Tempo do Imperador

Aconteceu em 22 de outubro o Sarau Imperial, em belas manifestações artísticas, reunindo alunos da Faculdade de História e Pedagogia da Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, sob a Coordenação da Prof.ª Enedi, que mais uma vez esteve à frente da organização desse trabalho realizado junto a nós, universitários.

O sarau chegou ao Brasil com a família real movido a erudição, requinte e luxo; sarau feito por pessoas da corte, refinado. 

Era no tempo do imperador! 

No Cineteatro do Museu Imperial de Petrópolis, RJ, vimos um retrato do século XIX, da vida da família imperial em seu palácio de verão no ano de 1878, com apresentações de temas econômicos, sociais, culturais e políticos, como a abolição da escravatura, notícias dos acontecimentos da época, e o cotidiano daquele período, como a rotina de vida da princesa Isabel, moda, costumes, e apresentação de poesias e modinhas retiradas da correspondência particular da família imperial.

Um convite muito especial. Um espetáculo encantador! Que interpretação, que talento! A celebração do diálogo entre poesia, história e música com diversas apresentações e interações. 

Sarau de poesia... sarau de música... sarau de história... sarau de teatro.... Belas composições musicais. Muita emoção.

As atrizes elaboraram um espetáculo de aproximadamente 45 minutos, misturando várias técnicas de encenação, improviso, comprometendo um estado de presença e prontidão, priorizando grande interação, fazendo do espaço somado de palco e plateia, um território lúdico e permeável. Realizaram uma relação direta conosco, suscitando comparações entre o passado e o presente, estimulando a reflexão crítica sobre as mudanças ocorridas no país. Instigaram a nossa atenção.

Foi um sucesso, porque garantiu a nossa participação ativa antes, durante e depois do evento. Conquistou-nos e nos divertiu, desde o primeiro momento. São poucos os profissionais que conseguem efetivamente interagir com o público. A apresentação fez uso de diversas linguagens artísticas nos números encenados, com a nossa participação. Esse linguajar específico da época retratada, levou-nos a fazer a distinção de tempo. 

Uma interação cultural, de partilha, de escuta... apresentações musicais, leituras dramáticas e muita interatividade. Fiquei em dúvida, se nosso lugar seria na cadeira ou no palco, porque marcada pela constante interação. 

Os mais belos figurinos, fazendo o elo dos personagens com o século XIX, réplicas dos utilizados na época. Peças ricas em detalhes, roupas sofisticadas em tons claros, alegres e tecidos leves, vaporosos, e outras, em cores escuras, fortes e exuberantes, marcando a oposição entre as personagens. Alguém orientou o desenho das roupas e a escolha das cores. Parabéns! Penso que o elenco necessitou também estudar o comportamento e o gestual próprios da época, sem mencionar os elementos existentes no sarau – o microfone aberto, o recital de poemas, outra vez a interação com o público...

Parabéns pela equipe de incansáveis e qualificadas atividades em prol da literatura e da história! Que beleza de arte, que beleza de tarde! Parabéns aos organizadores do Sarau pela agradável experiência de compartilhar essa boa energia ao misturar cultura, história, arte e turismo. 

Gostaria de parabenizar os organizadores pelo lindo trabalho do Sarau: aderecista, assistente de cenografia, assistente de direção, assistente de iluminação, assistente de produção, assistente de figurinista, assistente de visagista, camareira, cenotécnico, contrarregra. À produtora responsável, Xdaquestão Produções, na pessoa de Maurício Araújo, parabéns!

No elenco, as atrizes Andréa Dutra, Flávia Miranda, Maria Claudia Paladino, Vânia Moreira e a pianista Ruth Godinho. (Perdoem-me se esqueço outras). Parabéns pelo evento! Gostei muito! Tudo muito caprichoso! E com muita arte! Que dinâmica! Que encanto! Digno de uma princesa, digno de um imperador! 

E o maravilhoso espetáculo não terminou ali. Após conhecer um pouco mais a história, em performances poéticas, depois de praticamente 45 minutos, o elenco permaneceu no local e quis interagir mais uma vez conosco, universitários de Campos do Jordão. Que proposta! Ficamos encantados.

Retomando o espaço privilegiado que possuía outrora, manifestações como esta devem acontecer com mais frequência; que a história, a música, a poesia possa fazer mais parte de nosso cotidiano. 

Oportunamente, estamos cientes que as apresentações do Sarau Imperial nos moldes das festas promovidas pela Princesa Isabel que acontecia há 16 anos, foram canceladas pelo governo federal por falta de verbas, devido à crise que está passando. Entretanto, atividades voltadas para escolas, ONGs e entidades diversas, são sérias, não podem parar. Cadê o recurso necessário do Fundo Nacional de Cultura do Ministério da Cultura? Vemos que não falta só dinheiro, falta a presença do Estado. Onde está o Estado? E o Conselho Municipal de Cultura? Pode dar continuidade dos projetos culturais cortados pelo governo?

Esperamos que o Iphan, por sua vez, busque junto ao Minc a solução para o problema. Se pelos caminhos tradicionais não está sendo possível a captação de recursos, porque não apelar para a mídia que de uma maneira ou de outra saberá colocar a situação. 
E o pagamento do laudêmio à família imperial (o imposto que até hoje é pago à família imperial no Brasil)? Já que o Museu Imperial enobrece a família de D. Pedro II, que tal se uma porcentagem do valor seja revertida para a cultura de Petrópolis? Abraços.


Campos do Jordão, Mamãe e as Dálias da Saudade

Hoje, trouxe dálias.

No jardim de nossa casa em Campos do Jordão, mamãe cultivava dálias, muitas dálias. Eram as suas flores prediletas. Qual a sua flor favorita? Mamãe tinha uma queda pelas dálias. As brancas então... seu coração batia forte! As flores prediletas fazem um bem enorme para a alma. É só bater o olho nela que a gente sorri por dentro.

Dália é uma flor que lembra a minha infância. Mamãe tinha muitas espécies e a cada ano enterrava mais alguns bulbos na terra que ela recebia de uma vizinha ou amiga. Mamãe retirava e juntava as cinzas do fogão à lenha e, posteriormente, utilizava como adubo no cultivo da flor. Eu me lembro que era de fácil cultivo e o resultado me fascinava. Dálias lindas, carismáticas e imponentes.

A dália teve sua origem no México, e foi declarada flor nacional daquele país em 1963. A maioria dos cultivares foi criado a partir de ancestrais que cresciam selvagens em montanhas da América Central, do México até a Colômbia. Habitantes nativos da região já estavam cruzando dálias antes mesmo dos Europeus chegarem. Foi pela primeira vez observada no século XVII. Os índios dessa região foram os primeiros a cultivá-las, ainda no período do Império Asteca. Criavam e cultivavam dálias em seus jardins pela sua beleza, como comida para animais e propriedades medicinais muito antes dos espanhóis chegarem. Extratos de tubérculos eram utilizados para o tratamento de doenças renais. Passaram-se, contudo, mais 200 anos até que fosse cultivada na Europa. Por volta do final do século XVIII, o diretor do Jardim Botânico de Madri encantou-se com a flor, durante uma visita ao México. Foi o suficiente para que a dália viajasse de sua terra nativa, México, até Madrid, Espanha, atravessasse o oceano e chegasse à Europa, onde se adaptou muito bem ao clima temperado. Cultivada inicialmente pelas qualidades nutricionais dos seus tubérculos bulbosos, não tardou muito para que esta planta fosse também reconhecida pelas suas flores ricas e vibrantes. Os holandeses e os franceses foram os maiores incentivadores do cultivo e da produção de inúmeras espécies híbridas de dálias. Com a imigração holandesa surgiu a propagação desta flor no Brasil. Também é cultivada no Japão, principalmente pelo tipo de clima ameno, ao qual a flor se adapta muito bem. Seu cultivo também tem grande aceitação da comunidade japonesa que vive no Brasil.


Na cidade de Suzano SP, acontece todos os anos a Festa das Dálias; uma das raras Festas da Dália da América Latina. O evento, é realizado pela Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo (Enkyo) e Casa de Repouso Suzano Ipelândia Home, e apoio da Prefeitura Municipal, com apresentações de música, dança e comidas típicas do Japão.

Também há uma festa na cidade de Taquaritinga do Norte, a Dália da Serra, como é carinhosamente conhecida no Estado de Pernambuco. O evento é uma realização do Governo do Estado, em parceria com a Prefeitura Municipal. A cidade enfeita-se neste período para receber um vasto leque de opções culturais gratuitas como grandes shows, mostra de cinema itinerante, encontros literários, apresentações de cultura popular, teatro, circo, além de oficinas e seminários.

Em Campos do Jordão, devido ao clima fresco e úmido, se adapta bem. Onde faz bastante frio as folhas morrem no inverno, porém reaparecem assim que o tempo esquenta. Os jordanenses têm paixão por essa espécie. Há uma razoável quantidade dessa flor existente em algumas praças e jardins nessa região serrana; observamos muitos quintais floridos com dálias multicoloridas, mesmo com a falta de chuva e o excesso de calor dos últimos tempos. Apresenta grande variedade de tons, entre rosas, vermelhos, amarelos, laranja, além da cor branca. As floradas não decepcionam os jordanenses e visitantes.

Hoje, graças ao surgimento de vários híbridos, podemos encontrar diversos tipos de dálias, o que resulta numa grande variedade de formas (pompom, bola, decorativa etc.) e cores (branca, alaranjada, vermelha, amarela, rosa). São mais de 3.000 variedades resultantes de cruzamentos com outras espécies, como os crisântemos, por exemplo. Entre os tipos de dálias temos a Dália Flor de Outono, Dália Rosa Pôr do Sol, Dália Fogo da Lua, Dália Pom Pom e Dália Horst Athalie.

As dálias estão presentes em algumas telas da artista plástica Frida Kahlo. Em seus autorretratos, a flor aparece como adorno de cabelo. Segundo Clarisse, isso acontece pelo interesse da artista em valorizar a cultura mexicana, além de apreciar as cores fortes.

As pétalas da flor são muito usadas em saladas. A raiz pode ser cozida e utilizada como legume. Dessas também se extrai um extrato doce do tubérculo, chamado 'dacopa', que é utilizado como bebida ou como aromatizante. É misturado com água fria ou quente e polvilhadas de sorvete. A raiz é rica em amido inulina cujo sabor adocicado combina com as características de café, chá e chocolate. Embora não seja absorvido pelo organismo, esse amido pode ser convertido em frutose, uma substância edulcorante para utilização pelos diabéticos. (Engenheira Agrônoma, MSc. Márcia de Nazaré Oliveira Ribeiro; Engenheira Agrônoma, DSc. Patrícia Duarte de Oliveira Paiva).


Sempre que vejo uma dália florescida, me lembro de mamãe. Se pudesse, certamente a levaria para dentro de casa e a colocaria num vaso. Nossa casa tinha um imenso jardim e grande variedade de flores. Entre elas, dálias coloridas, rosas, hortênsias, begônias, cravos, glicínias e uma infinidade de samambaias e trepadeiras espalhadas nos cantos e pelos troncos das árvores do quintal. Mamãe possuía mãos abençoadas - todos diziam isso. Sempre que saía para um passeio, voltava com uma nova muda de uma flor diferente e nosso jardim crescia sempre e vivia florido. Deus a colocou na minha vida para cuidar dos meus passos, atendendo meus caprichos e colorindo nossa casa com suas dálias. 


















A Morte do Lago Itatinga


Mais uma vez as ações sem limites do homem levando à destruição o que resta de natureza da nossa cidade! É difícil acreditar que o mesmo homem racional que necessita de tudo que vem do meio ambiente, retribui de forma tão trágica!

A Represa da Usina Abernéssia, durante muito tempo conhecida como Represa da Vila Britânia, e hoje, como Lago do Monte Carlo ou Lago Itatinga, está situada no caminho de acesso ao antigo Sanatório Ebenezer e ao tradicional Hotel Umuarama, no Bairro do mesmo nome. Itatinga é influenciado pela cultura indígena tupi, significando "pedra branca, clara, alva; prata; mina de prata". Este paraíso ecológico está inserido no exuberante e frágil bioma da Mata Atlântica, em Campos do Jordão.

A represa da Usina, que pertencia à antiga Companhia de Eletricidade de Campos do Jordão, passou posteriormente para a CSME - Companhia Sul Mineira de Eletricidade. Tinha finalidade de represar as águas dos rios da região ao longo do caminho de acesso ao Bairro do Umuarama. Essas águas, com o necessário peso, adquirido pelo represamento, através de tubulação especial de grosso calibre, eram transportadas por um percurso de aproximadamente 900 metros, até à Usina Evangelina Jordão. A Usina foi construída por Alfredo Jordão Junior e Robert John Reid, sendo inaugurada em 15 de agosto de 1919, e estava situada no final da atual Rua Álvaro Alvim, no bairro conhecido com Bairro da Usina. Na Usina essa água tubulada, impulsionava as turbinas necessárias à geração da energia elétrica que seria distribuída para o abastecimento de parte da cidade de Campos do Jordão. Outra parte da cidade recebia eletricidade gerada pela Usina do Fojo.

O grande Lago Itatinga era uma bela e florescente indústria de turismo, lugar excelente para uma caminhada, piquenique, tirar fotos, ir em família, casal ou amigos, e já foi cartão postal da cidade de Campos do Jordão...

.... Hoje, com muita tristeza, vemos o lago morrendo, agonizando, secando. Onde era represa, o cenário é desanimador. Onde haviam águas, hoje o cenário é desértico: apenas um filete... sobre uma campina... onde havia água, é relva! Está com o anúncio de extinção a cada dia mais próximo. 

O Lago Itatinga está morrendo. Um cenário assustador. Não é desastre da natureza, obra do acaso; é desastre humano, crônica de morte anunciada! O Lago Itatinga morre à míngua e sofre por descaso. E a agonia do lago é a do povo. A população reclama que Itatinga está morrendo à míngua, por causa da omissão do poder público. Está agonizando por imprudência. É a agonia do lago. 

Todos sabem que não há paz na agonia. Sofre o lago na pele dos jordanenses. E já se ouvem seus gemidos, seu estertor. O lago seca por falta de identidade: Pedra branca!

A ação do homem está gerando impactos negativos no local. Obra dos bárbaros que escoaram as águas do lago. São bárbaros os que o destruíram. Ou é o poder que não conhece limites, que não possui sensibilidade, inteligência, e desconhece civilização. A construção de imóveis próxima ao lago é uma das principais causas da morte do lago. Está morrendo, e a urbanização é a culpada. Está morrendo e sua expectativa de vida diminui a cada ano, devido à urbanização nas áreas próximas. Onde existia uma linda represa, parte da nossa história, agora há vários loteamentos populares que tomam conta da nobre região. Outra causa dos impactos ambientais, segundo pesquisadores, é a falta de políticas públicas de contenção de sedimentos, e a limpeza e restauro do lago, que clarifica as águas e restaura a capacidade de armazenamento original sem drenagem ou escavações. Processo simples que passa despercebido às pessoas não envolvidas ou residentes na área. 

Parece que a vida do lago não preocupa as autoridades. Não há um projeto sério de grandes proporções pela revitalização. A represa encontra-se em área de preservação ambiental, e em se tratando de APA, quem deve responder pelo dano e manutenção é a Prefeitura Municipal. As Secretarias do Meio Ambiente, de Serviços Públicos, Agricultura, tem projetos para a revitalização do lago? É necessário abrir os olhos com intervenções urgentes; urge empenho na sua revitalização hidrográfica, que só será possível com trabalho de manejo bem feito e de forma constante, a educação-ambiental integrando a comunidade local, e a vontade de querer fazer. 

Ainda desejo ver este paraíso lindo, com a natureza ao vivo e a cores.



Álamo - A Árvore do Outono Colorido

Em Campos do Jordão, no caminho do Horto Florestal, logo após o Borboletário, há uma colônia de álamos, exuberantes. Ladeiam uma margem da avenida, conferindo à paisagem uma coloração deslumbrante. Lindo de se ver!
Os álamos são imponentes e exibem orgulhosamente a sua verticalidade, com sua delicada e vibrante folhagem e o brilho ameno que lançam sobre as montanhas. Possuem um atrativo emocional. Sou um amante dessas árvores. Existe definitivamente algo de poderoso, quando contemplo seu brilho amarelo, saudáveis da Serra da Mantiqueira. Árvore de regiões frias, temperadas e úmidas é típica das florestas de montanha e vales.

Álamo – Choupo ou álamo (genero Populus) é uma árvore da família Salicaceae (à qual também pertence o salgueiro). É uma árvore exótica, florestal, com folhas caducas e que cresce rapidamente, apresenta pouca resistência à poluição e exige poucos cuidados. Esta árvore é de crescimento rápido, copa ampla e ramos fortes, pode chegar a um raio de 1,5 e viver até 400 anos. Seu tamanho é médio ou grande, a sua casca em árvores jovens é liso, branco ao verde ou cinza escuro, e velhas árvores permanece lisa em algumas espécies, mas áspera e rachada. O álamo-branco, o álamo-negro e o álamo-tremulante podem atingir 27 metros de altura; o álamo-dentuço chega a 18 metros. Nas cidades é muito utilizado porque o seu crescimento em altura permite complementar a forma dos prédios.

É frequentemente plantada em parques, avenidas, jardins, são árvores conhecidas pelas folhas em constante movimento das florestas frias, do hemisfério Norte. O caule longo, delicado e achatado permite que suas folhas se mexam ao menor sopro de brisa.

De modo geral, seu tronco é cinza-esverdeado ou branco e suas folhas são verde-vivas. No outono, antes de caírem da árvore, as folhas se tornam amarelo-brilhantes.

O álamo é usado na fabricação de papel, móveis, cadeiras e bancos. É apreciado por sua beleza e pela sombra que proporciona.  Também é usado na indústria de snowboard por causa de sua grande flexibilidade. É muito comum usado para pinturas do painel como a Mona Lisa e a maioria das pinturas italianas.
Campos do Jordão é agraciado pela exuberância dessas árvores.


Os Pinheirais Gigantes

Vale Encantado: Um lindo parque com um pequeno lago de nenúfares, plantas típicas e exóticas; um lugar gostoso em meio à natureza intocada e exuberante.

Sobre os pinheiros - A Araucária é um gênero de árvores coníferas da família Araucariaceae. Existem 19 espécies no gênero, com distribuições altamentes separadas na Nova Caledônia (ali treze espécies são endêmicas), Ilha Norfolk, oeste da Austrália, Nova Guiné, Argentina, Chile, e centro-sul do Brasil. A Araucaria angustifolia ou pinheiro-do-paraná (também conhecida pelo nome de origem indígena, curi) é a única espécie do gênero encontrada no Brasil.

É uma árvore de grande beleza. Tem a copa alta em formato de cálice e distingue-se de todas as outras árvores brasileiras pela forma original. Sua presença em uma paisagem lhe confere dimensões especiais.

No passado, antes que a lavoura de café e cereais se espalhasse pelas terras paranaenses e antes que os trigais cobrissem os campos gaúchos, sua presença era tão comum que os índios chamaram de "Curitiba" (que significa "imensidão de pinheiros") toda uma extensa região onde ela predominava. E a palavra acabou imortalizada, denominando a capital do Paraná.
Presente no planeta desde a última glaciação - que começou há mais de um milhão e quinhentos mil anos, é uma espécie resistente, tolera até incêndios rasos em razão de sua casca grossa que funciona como isolante térmico. Tem alta capacidade de germinação que chega a 90% em pinhões recém-colhidos. Árvore de grande porte, atinge cerca de 50 m de altura, e seu tronco pode medir até 8,5 m de circunferência. Seu fruto, a pinha, contém de 10 a 150 sementes - os famosos pinhões - deliciosas e nutritivas, servindo de alimento a aves, animais selvagens e ao ser humano.

Na maturidade, a pinha da araucária se desmancha soltando os pinhões e as escamas murchas. Quando chega a época da reprodução, o vento transporta o pólen das inflorescências masculinas para as femininas. Uma árvore feminina produz uma média anual de 80 inflorescências, cada uma com cerca de 90 pinhões.

A semente da araucária, o pinhão, é sem dúvida muito nutritiva. Pesquisas históricas e arqueológicas sobre as populações indígenas que viveram no planalto sul-brasileiro, de 6000 anos até os nossos dias, registram a importância do pinhão no cotidiano desses grupos. Restos de cascas de pinhões aparecem em meio aos carvões das fogueiras acesas pelos antigos habitantes das matas com araucária. Os pinhões, que já eram importantes na alimentação indígena, ainda hoje inspiram muitas receitas. Medem cerca de quinze milímetros de largura na parte mais larga e cerca de dez centímetros de comprimento.
As pinhas pesam vários quilos e podem atingir o diâmetro de aproximadamente trinta centímetros.

O pinheiro é uma árvore generosa. Pode-se dizer que oferece tudo de si: desde a amêndoa, no interior dos pinhões, até a resina que, destilada fornece alcatrão, óleos diversos, terebintina e breu (usados na indústria). Ricas em amido, proteínas e gorduras, suas sementem são de grande valor nutricional.

Um depósito de restos de pinhões no meio de uma espessa camada de argila evidencia não apenas a existência do pinhão na dieta diária dos grupos, como também uma engenhosa solução para conservá-lo durante longos períodos, evitando o risco de deterioração ou do ataque de animais. Sabe-se que o pinhão servia de alimento para inúmeras espécies animais, inclusive caititus selvagens (espécie de porco), atraindo-os durante a época de amadurecimento das pinhas.  Assim, ao lado da coleta anual do pinhão, os indígenas os caçavam.

É comum ver bandos de pássaros, principalmente periquitos e papagaios, pousados nos galhos das araucárias, bicando as amêndoas.
E serelepes, que inclusive contribuem para a sua propagação, já que costumam enterrá-las (e da maneira correta para brotar, com a ponta para baixo).
Uma enorme diversidade de animais, desde grandes mamíferos até os menores invertebrados, vive na floresta de araucárias - e depende dela.
Quando os pinhões amadurecem, a fartura de alimento altera toda a vida na mata. A gralha-azul, por exemplo, que utiliza a araucária para fazer seu ninho, esconde seu alimento no oco dessas árvores.

Já o macaco bugio e o ouriço são dotados de uma curiosa habilidade: debulham cuidadosamente as pinhas que guardam os pinhões. O que sobra é aproveitado por besouros, formigas e uma infinidade de insetos.
A fauna original tinha onças, bugios, cotias, catetos e a gralha-azul, pássaro que dispersa o pinhão, essa deliciosa semente do pinheiro.

Os pinheirais formam um ecossistema denominado floresta ombrófila mista, que integra o bioma da Mata Atlântica. A copada majestosa das araucárias, voltadas para o céu a cinquenta metros de altura, lhe confere um desenho característico. Canelas, imbuias e cedros formam um segundo extrato que cobre sub-bosques de erva-mate e xaxim. A madeira, por sua vez, pode ter várias aplicações na construção, na fabricação de palitos fósforos e ainda fornece uma pasta de celulose utilizada na indústria do papel. Sua madeira serviu até como mastros em embarcações; em aplicações rústicas, os galhos podem ser apenas descascados e polidos, transformando-se em cabos de ferramentas agrícolas. Este, na verdade, é seu único uso sustentável
Um ecossistema sob risco de extinção, mas poucos se dão conta. A araucária, que já compôs extensa formação nos estados do centro-sul do Brasil, está hoje corre hoje o risco de se extinguir.
Se antes da presença dos colonizadores suas florestas ocupavam mais de metade da região dos Estados do Paraná e de Santa Catarina, hoje restam apenas fragmentos que, somados, não atingem 1% da área original. A maioria dos remanescentes se encontra em áreas particulares de indústrias madeireiras. Estão ameaçados por assentamentos de sem-terra ou ilhados por plantações de pinus e soja. No ano passado, o governo federal aprovou a inundação do lago da hidrelétrica de Barra Grande (da Alcoa), na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul. O lago vai inundar um vale com um dos últimos remanescentes das florestas de araucárias. As famosas "medidas mitigatórias" estão prometidas, mas como tem acontecido em outras questões que envolvem a preservação ambiental, certamente não sairão do papel.

A araucária é árvore símbolo do estado do Paraná, da cidade Curitiba e de Campos do Jordão, no estado de São Paulo. Mas, apesar de sua importância e do estado grave de ameaça, há poucas unidades de conservação para esse ecossistema. Os parques nacionais de Aparados da Serra (RS) e do Iguaçu têm pequenas áreas de florestas com araucárias que, no total, não chegam a 3 mil hectares.

Sua beleza e imponência dão um charme todo especial à paisagem da cidade. Desafiando o frio e o vento, suas folhas permanecem verdes mesmo no auge do inverno. Seu fruto, o pinhão, despenca graciosamente de seus altos galhos para nutrir os homens e os animais.


A Araucária angustifolia ocupa uma área muito grande nos três estados do sul do Brasil, alcançando também, manchas esparsas no sudeste e nordeste de São Paulo, sul de Minas Gerais, sudoeste do Rio de Janeiro e no leste da Província de Misiones (Argentina). A zona de vegetação ocupada pela Araucária situa-se entre o paralelo 29º 30' sul, no Rio Grande do Sul (a partir de 400 m de altitude), e o paralelo 20º sul, em Minas Gerais (altitudes superiores a 1000 m).
Presente no planeta desde a última glaciação - que começou há mais de um milhão e quinhentos mil anos, a Araucaria angustifolia já ocupou área equivalente a 200 mil quilômetros quadrados no Brasil, predominando nos territórios do Paraná (80.000 km²), Santa Catarina (62.000 km²) e Rio Grande do Sul (50.000 km²), com manchas esparsas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que juntas, não ultrapassam 4% dessa área originalmente ocupada.
No Brasil, o limite sul da ocorrência natural desta conífera situa-se nos bordos da Serra Geral, no Rio Grande do Sul. Uma linha leste-oeste, de Torres a Santa Maria, beirando os contrafortes da serra referida, separa a Floresta Subtropical da encosta da Floresta de Araucária.
Os campos do planalto riograndense oferecem uma paisagem muito bonita. São proporcionalmente maiores que a área de mata de Araucária. Os campos estão salpicados de capões, matas de galeria, matas nas encostas úmidas nos lados sul e leste, e também com pinheiros isolados.
Delimitação da área natural da Araucária no Rio Grande do Sul: Pelo oeste, a linha partia de São Martinho, seguia para o noroeste, passando por Cruz Alta e Pinhal. Ao norte de Tenente Portela, o pinheiral nativo alcançava o leste e perto do Parque Estadual do turvo, sempre pela parte alta. Pelo norte do estado o pinheiral ocupava somente a parte alta do vale do Rio Uruguai. O pinheiral não descia até este vale nem a parte baixa dos afluentes daquele rio. Estes lugares são ocupados pela vegetação subtropical do Alto Uruguai. Este tipo de vegetação segue pelo Rio Uruguai até a barra do Rio Canoas com o Rio Pelotas. Até este ponto, a vegetação subtropical do Rio Uruguai alcança até quase a parte alta do vale. Depois, segue até a barra do Rio Pelotinhas com o Rio Pelotas, o qual ocupa apenas a parte baixa das margens deste último ponto.
Em direção leste, os pinheiros se espalham pela parte alta nos dois lados do vale. Da barra dos dois rios citados acima, a linha delimitante dos pinheirais do Rio Grande do Sul segue pelo Rio das Contas, afluente pela esquerda do Rio Pelotas, até encontrar os bordos da Serra Geral. Dirigindo para o sul, esta linha a cerca de 10 km ao sul de São Francisco de Paula, volta-se para a direita, em direção de Canela. Os pinheirais mais densos encontravam-se na região dos Campos de Cima da Serra, no noroeste do planalto. Ocupavam as nascentes e vales superiores dos grandes rios (Rio Jacuí, Rio Caí, Rio das Antas, Rio Pelotas e Rio Taquari).
No estado de Santa Catarina temos a ocupação do vale do Rio Uruguai pela floresta subtropical, e no planalto, em altitudes superiores a 500 metros, pela Mata de Araucárias. O Rio Pelotas e o Rio das Contas, até as fraldas da Serra Geral, neste Estado, completam a linha sul de onde começam as florestas de Araucária.
Pelo leste este tipo de vegetação ora penetra em faixas irregulares e estreitas, partindo da região de Rancho Queimado e bifurcando para o nordeste e para o noroeste, ora partindo dos arredores de Nova Cultura em direção ao sul penetra até perto do Rio do Sul. Uma pequena mancha em forma de ferradura se encontra na região de Anitápolis. Vários tipos de núcleos de Araucária encontram-se espalhados pela região da Mata Pluvial Atlântica. No nordeste do Estado, o pinheiral vai até perto da BR 101, pela Serra do Mar, na nascente do Rio Negro. Pelo norte, praticamente é todo coberto de pinheiros.

Araucária angustifolia

No estado do Paraná, a Araucária ocupa altitudes superiores a 600 metros. A sua ocorrência no oeste, vai até a fronteira com a Argentina (no Rio Santo Antônio) de Barracão para o norte até a barra do Rio Santo Antônio com o Rio Iguaçu. Deste ponto a área de pinheiros se retrai em forma de cunha para leste.
Depois, a linha delimitante volta e torna a direção norte, passando mais ou menos por Cascavel. A linha continua até mais ou menos Cafelândia. Daqui, vai para o leste, também em forma de cunha e volta em direção noroeste, mais ou menos para Campo Mourão. Pelo norte, uma linha abre um pouquinho na direção de São José da Boa Vista, limitando para o sul, com algumas e profundas reintrâncias, a área de pinheiros. A leste de Sengés a linha segue até cerca de Pinhalzinhho.
Depois, uma linha curva ampla leva a linha até cerca de Ilha Grande, próximo ao Rio Capivari. Outra Linha, ligeiramente curva, segue para o sul pelo leste de Curitiba, encerrando assim a área de pinheiros no estado do Paraná.
Dos 7.500.000 hectares de primitivas florestas de araucária, no Paraná existem ainda 400.000 hectares, sendo que as maiores reservas se localizam na região de General Carneiro e Bituruna, em uma linha que vai de União da Vitória a Palmas.
No Estado de São Paulo, os pinheiros ocorrem em certas regiões distintas entre si e em altitudes superiores a 800 m, alcançando até cerca de 1700 msm (Campos do Jordão). Ao sul, a área de ocorrência desta conífera está limitada pela divisa com o Estado do Paraná, de Itararé para leste, até cerca de Apiaí.
Daqui, segue para o norte, a oeste da Serra de Paranapiacaba, em direção de Capão Bonito e Buri, numa faixa estreita que passa pela esquerda de Ribeirão Branco. Nos arredores de São Paulo, passando por Mogi das Cruzes, Paraibuna e Bocaina, ainda pelo leste do Estado, são regiões de Araucária.
Na região da grande São Paulo, podemos mencionar Diadema, Itapecerica da Serra, passando mais ou menos pelo Km 34 da rodovia Raposo Tavares, cerca do limite deste com o município de Cotia. No Jardim Botânico de São Paulo, podem ser vistos dois pinheiros nativos. Neste Estado, na encosta da Serra de Poços de Caldas, há pinheiros nativos. De Cascata, na divisa com Minas Gerais, uma faixa com cerca de 2 km de largura, alcança a Fazenda da Fartura, a 8 km noroeste de São Roque da Fartura. Daqui, a linha volta mais ou menos pelos bordos da Serra até a estrada Andradas-Poços de Caldas. Campos do Jordão possui seus pinheirais principalmente nos vales, a uma altitude entre 1400 e 1700 m.
No Estado de Minas Gerais, os pinheiros acham-se numa altitude que chega até 1800 m, na Serra da Mantiqueira. Em Camanducaia, no local de Rio Verde, em direção à divisa com Campos do Jordão, há um núcleo de pinheiros nativos. Há outra região, cuja linha de delimitação, passando entre Itajubá e Pedralva, segue para Pinhal, passando pela direita de Conceição das Pedras, chegando perto da rodovia Nastércia - Olímpio de Noronha (ao sul desta cidade), segue para oeste e desce para o sul, em direção de Cristina, onde foram vistos pinheiros nativos, velhos.
Outra região onde ocorria pinheiros nativos, no sul de Minas Gerais, é a seguinte: uma linha que passa por Pé do Morro, perto de Passa Quatro, segue em direção de Airuoca.
Nesta zona, já não existia mais pinheiros nativos, mas em 1970, foram encontrados nós de pinho e cerne de madeiras enterrados em lugares de onde tiravam barro para uma olaria e, também, num leito de um rio recém aberto sob traçado novo. De Airuoca, a linha segue até 7 km ao norte de Serranos (onde existiam pinheiros numa pequena bacia). A linha volta-se para Sudeste, passando perto e a leste de Carvalhos, onde existiam bonitos capões de pinheiros. A linha referida segue para leste, para alcançar Liberdade, de onde torna a direção sudoeste, passando a poucos quilômetros a leste de Bocaina, a leste de Santo Antônio e de Mirantão. Por fim, encosta na região de pinheiros do norte do Estado do Rio de Janeiro. Todas estas regiões citadas, estão intensamente exploradas. Continuando a linha de delimitação do pinheiro, no sul de Minas Gerais, ainda segue pelo norte das encostas da Serra da Mantiqueira, passando em frente a Mauá, depois, ao norte de Agulhas Negras, seguindo pelo alto da Cordilheira até atravessar a rodovia Piquete-Delfim Moreira, para voltar pelo norte até encontrar Pé do Morro, citado acima. O pinheiral existente na Fazenda dos Criminosos, perto de Olímpio de Noronha, é nativo. Outra grande mancha de pinheiros nativos, encontra-se na região de Camanducaia.
No Estado do Rio de Janeiro esta planta existe nas matas do alto do Itatiaia, na Serra da Mantiqueira, em altitudes que vão até 1800 msm. BRADE (1956): "Só nas escarpas sulinas em altitudes entre 1880 e 2300 metros, pode-se observar exemplares solitários, ou às vezes, pequenas formações. No outro lado da Serra, na Estrada Nova, acima de Registro, aparece a referida espécie, espontaneamente, já em altitude de 1600 m mais ou menos. Uma formação considerável de Araucária acha-se no lado sudeste das Agulhas Negras, em virtude bastante prejudicada pelo fogo que lavrou em épocas anteriores à existência do Parque Nacional do Itatiaia e já algumas vezes na existência deste".
Fonte: www.araucariaswebsite.hpg.ig.com.br

Flora
A diversidade do clima brasileiro reflete-se claramente em sua cobertura vegetal.
A vegetação natural do Brasil pode ser grupada em três domínios principais: as florestas, as formações de transição e os campos ou regiões abertas.
As florestas se subdividem em outras três classes, de acordo com a localização e a fisionomia: a Selva Amazônica, a Mata Atlântica e a Mata de Araucárias. A primeira, denominada Hiléia pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (do grego, hilayos, "da floresta", "selvagem") é a maior mata equatorial do mundo.
Reveste uma área de 5.000.000 km2, equivalente a quase o dobro do território da Argentina.

Florestas
A Hileia, do ponto de vista de sua ecologia, divide-se em: mata de igapó, mata de várzea e mata de terra firme. A primeira fica inundada durante cerca de dez meses no ano e é rica em palmeiras, como o açaí; os solos são arenosos e não cultiváveis nas condições em que se encontram. A mata de várzea é inundada somente nas enchentes dos rios; tem muitas essências de valor comercial e de madeiras brancas, como a seringueira, o cacaueiro, a copaíba, a sumaúma e o gigantesco açacu. A mata de igapó e a mata de várzea, as duas primeiras divisões da hileia, têm árvores de folhas perenes.
Os solos das várzeas são intrazonais, argilosos ou limosos. A mata de terra firme, que corresponde a cerca de 90% da Floresta Amazônica, nunca fica inundada.
É uma mata plenamente desenvolvida, composta de quatro andares de vegetação: as árvores emergentes, que chegam a 50 m ou mais; a abóbada foliar, geralmente entre 20 m e 35 m, onde as copas das árvores disputam a luz solar; o andar arbóreo inferior, entre 5 m e 20 m, com árvores adultas de troncos finos ou espécimes jovens, adaptados à vida na penumbra; e o sub-bosque, com samambaias e plantas de folhas largas. Cipós pendentes das árvores entrelaçam os diferentes andares. Epífitas, como as orquídeas, e vegetais inferiores, como os cogumelos, liquens, fungos e musgos, convivem com a vegetação e aumentam sua complexidade.
A mata de terra firme é geralmente semidecídua: 10% ou mais de suas árvores perdem as folhas na estiagem. Árvores típicas da terra firme são a castanheira, a balata, o mogno e o pau-rosa. A heterogeneidade da floresta dificulta sua exploração econômica, salvo onde ocorrem concentrações.
O tipo de solo predominante na hileia é o latossolo. A mata da encosta atlântica estende-se como uma faixa costeira, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Suas árvores mais altas chegam, geralmente, a 25 m ou 30 m. No Sul da Bahia e na vertente marítima da Serra do Mar, é perenifólia; mais para o interior e em lugares menos úmidos, é semidecídua.
Do Paraná para o Sul, toma um caráter subtropical: é de menor altura (10 m a 15 m), perenifólia, mais pobre em cipós e mais rica em epífitas. A peroba, o cedro, o jacarandá, o palmito e o pau-brasil foram espécies exploradas na Mata Atlântica. Além de madeira, a Mata Atlântica contribuiu muito com seus solos para o desenvolvimento econômico do Brasil. A maior parte deles pertence ao grande grupo dos latossolos vermelho-amarelos, entre os quais se inclui a terra roxa, e nos quais se instalaram várias culturas, como café, cana-de-açúcar, milho e cacau. O terceiro tipo de floresta é a Mata de Araucárias. Fisionomicamente, é uma floresta mista de coníferas e latifoliadas perenifólias. Ocorre no Planalto Meridional, em terras submetidas a geadas anuais.
Das matas brasileiras, é a de menor área, porém de maior valor econômico, por ser a mais homogênea.
Suas árvores úteis mais típicas são: o pinheiro-do-paraná, produtor de madeira branca; a imbuia, madeira de lei, escura, utilizada em marcenaria; e a erva-mate, com cujas folhas tostadas se faz uma infusão semelhante ao chá, muito apreciada nos países do Prata.
Formações de Transição
A caatinga, o cerrado e o manguezal são os tipos mais característicos da vegetação de transição. As caatingas predominam nas áreas semi-áridas da Região Nordeste e envolvem grande variedade de formações, desde a mata decídua (caatinga alta) até a estepe de arbustos espinhentos. Suas árvores e arbustos são em geral providos de folhas miúdas, que caem na estiagem, e armados de espinhos. São a jurema, a faveleira, o pereiro, a catingueira, o marmeleiro. São também típicas as cactáceas, como o xiquexique, o facheiro, o mandacaru e outras do gênero Opuntia. Nos vales planos são freqüentes os carnaubais. Os cerrados, ou campos cerrados, predominam no Planalto Central, desde o Oeste de Minas Gerais até o Sul do Maranhão.
São formações constituídas de tufos de pequenas árvores, até 10 m ou 12 m de altura, retorcidas, de casca grossa e folhas coriáceas, dispersos num tapete de gramíneas até um metro de altura, que na estiagem se transforma em um manto de palha. Os cerrados penetram no pantanal mato-grossense, onde se misturam a savanas e formações florestais e formam um conjunto complexo. Os manguezais ocorrem em formações de 4 m a 5 m de altura, na costa tropical.

Regiões Abertas
As áreas de vegetação aberta, no Brasil, se agrupam em tipos variados. Os campos de terra firme da Amazônia, como os campos do rio Branco (Roraima), os de Puciari-Humaitá (Amazonas) e os do Ererê (Pará), são savanas de gramíneas baixas, com diversas árvores isoladas típicas do cerrado, como o caimbé, a carobeira e a mangabeira. Os campos de várzea do médio e baixo Amazonas e do Pantanal (rio Paraguai) são savanas sem árvores, com gramíneas de um metro ou mais de altura.
Os campos limpos são estepes úmidas que ocorrem na campanha gaúcha, em partes do Planalto Meridional (campos de Vacaria, no Rio Grande do Sul; campos de Lajes e Curitibanos, em Santa Catarina; campos gerais, campos de Curitiba e de Guarapuava, no Paraná) e no extremo Oeste baiano (os gerais). Têm solos geralmente pobres, salvo na campanha, onde se enquadram no tipo prairie degradado. Fonte: www.geocities.com.br

A Mata das Araucárias, ao contrário da Floresta Amazônica, constitui uma formação aberta, homogênea, que permite facilmente a extração de madeiras (chamadas duras), as Araucárias, constituem a nossa única floresta subtropical, ou temperada quente. Essa formação é a floresta mais desmatada em nosso país quando da instalação dos imigrantes europeus para construção de suas casas. Entretanto, foi a zona pioneira em reflorestamento. Além do pinheiro-do-paraná (Araucária angustifolia) que é predominante, existem outras espécies de pinheiros, além de gramíneas e samambaias.
Sendo uma floresta subtropical mista, com ocorrência do pinheiro (Araucária angustifolia), estão associados a esta, outras espécies, como cedro, canela, imbuía, caviúna, erva-mate, etc.
A mata das araucárias caracteriza-se por ser uma floresta:

Homogênea (com poucas espécies);
Aberta e de fácil penetração;
Aciculifoliada

Sendo uma floresta homogênea, de fácil penetração e localizada próximo a grandes mercados consumidores, a mata dos pinhais tem sido muito explorada economicamente no país, atendendo tanto ao mercado interno (papel e madeira) como às exportações, sendo o estado do Paraná o maior produtor desta madeira de boa qualidade.
Fonte: geografia.igeo.uerj.br

FLORESTA ARAUCÁRIA

Localiza-se principalmente na região sul, ocorrendo também em elevadas altitudes na região sudeste. O pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) é a espécie que se destaca neste tipo de floresta. O pinheiro se associa a outras espécies da Floresta Pluvial Atlântica, dando origem a variadas comunidades florestais mistas, recebendo o nome de pinheirais ou pinhais. Cientistas revelaram que os pinheirais são antes fases sucessionais do que comunidades maduras e integradas.

Segundo eles, o pinheiro-do-paraná é uma espécie pioneira, que por ser fortemente heliófita (necessita de luz solar direta para se desenvolver), avança sobre as áreas campestres abertas e não se regenera mais quando a sombra se torna intensa. Os grupamentos de pinheiros são pouco a pouco invadidos por arvoretas e arbustos, dando início à sucessão.

O clima característico nas regiões de ocorrência da Floresta de Araucária é o subtropical, com chuvas relativamente regulares o ano todo, e temperaturas relativamente baixas. O pinheiro pode atingir até 50m de altura, produzindo sementes comestíveis, conhecidas como pinhões, e tem seus ramos distribuídos em torno do tronco central. Por existir pouca diversidade florística, devido ao clima frio, e a alelopatia (inibição do crescimento de outras plantas próximas, fato comum em pinheiro), as araucárias se sobressaem, ficando isoladas, o que torna extremamente fácil a sua localização e extração, fato que as colocou à beira de extinção, bem como aos demais organismos relacionados a ela.

Existem algumas plantas que se beneficiam da alelopatia, como por exemplo a erva-mate, elemento importante para a economia de muitas comunidades. Podemos encontrar neste tipo de vegetação, espécies como a canela-lageana, a imbuia, o cedro, dentre outras.
Para expandir a área plantada no sul do Brasil, colonos alemães e italianos iniciaram, na primeira metade do século, a exploração indiscriminada de madeira.

Árvores gigantescas e centenárias foram derrubadas e queimadas para dar lugar ao cultivo de milho, trigo e videira, principalmente. A mata das araucárias ou pinheiros-do-paraná, de porte alto e copa em forma de prato, estendia-se do sul de Minas Gerais e São Paulo até o Rio Grande do Sul, formando cerca de 100.000 km2 de matas de pinhais.

Na sua sombra cresciam espécies como a imbuia, o cedro, a canela, entre outras. Hoje mais da metade desse bioma foi destruído, assim como diversas espécies de roedores que se alimentavam do pinhão, aves e insetos. O que resta está confinado a áreas de conservação ou preservação. Por mais de 100 anos a mata dos pinhais alimentou a indústria madeireira do sul. O pinho, madeira bastante popular na região, foi muito usado na construção de casas e móveis.
Fonte: www.vivaterra.org.br

Antigamente, a Mata das Araucárias ou dos Pinheiros-do-Paraná, estendia-se do sul dos estados de Minas Gerais e São Paulo até o sul do Rio Grande do Sul, avançando pelo extremo Nordeste da Argentina. Sua extensão era 100.000 km2. Na sombra dos pinheiros, cresciam muitas outras espécies, como o cedro, a imbuia, a canela, a gameleira, a timbuia e o angico.

Mas este ecossistema está praticamente extinto e com ele, diversas espécies de roedores, inúmeras aves e insetos que se alimentavam do pinhão, fruto dos pinheiros, também estão ameaçados de extinção pois durante 150 anos, a Mata dos Pinhais alimentou a indústria madeireira do Sul, que a empregava na construção de casas e no fabrico de móveis. Mais tarde, por volta dos anos 20 a 60, descobriu-se o mercado externo para a araucária, e a consequente escassez dos pinheiros.

Hoje, metade das araucárias ainda restantes está confinada em "museus", ou seja, as áreas de preservação aos cuidados dos estados e do governo federal.

Restam menos de 300.000 hectares, área equivalente a uma das grandes fazendas do Norte do País, que representam a adaptação da Mata Atlântica a um clima subtropical, mais temperado.
Fonte: www.tree4life.com

CARACTERÍSTICAS GERAIS
A presença da mata de Araucária, sem dúvida, é o elemento que mais se distingue na fitofisionomia do Sul do Brasil. Ela se encontra ao longo do Planalto Meridional, nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. De modo geral pode-se dizer que seu aparecimento se acha ligado ao clima, que é condicionado pelo relevo e pela altitude.

Os planaltos constituem o seu habitat por excelência, sendo evitados os vales dos grandes rios. Essa região caracteriza-se por alto índice pluviométrico e por temperaturas moderadas. Para a Mata de Araucária, o solo não parece ser um fator primordialmente limitante, pois esta ocorre nos mais variados tipos de solos. Geralmente a quantidade de húmus no solo é muito grande. A araucária tem preferência por lençóis freáticos pouco profundos.
O pinheiro tem extrato arbóreo homogêneo, as folhas são muito agudas e sésseis. A árvore pode ter até 25 metros de altura e o tronco até 2 metros de diâmetro. Essa mata subtropical está associada à epífitas, palmeiras e samambaias.

DEGRADAÇÃO
Para a economia florestal e madeireira do país esta é a região mais importante. A Araucária e a Imbuia são usadas pelas indústrias moveleiras e de papel celulose.

A exploração madeireira é a responsável direta pela ameaça à Imbuia, assim como ao Pinheiro-do-Paraná, que é uma das espécies mais extraídas do sul do Brasil. A destruição dessas matas, sem deixar reservas em seu lugar, vem aumentando gradativamente a variação das precipitações na região Sul.

Com os loteamentos, a derrubada de árvores em encostas íngremes, as queimadas para formação de pastos e a instalação de indústrias, terminam por provocar deslizamentos de terra e enchentes, dos quais o homem acaba sendo a principal vítima.
Fonte: www2.uol.com.br

Mata dos Pinhais (Araucárias)
A Mata das Araucárias, ou dos Pinhais, ao contrário da Floresta Amazônica, constitui uma formação aberta, homogênea, que permite facilmente a extração de madeiras (chamadas duras). Aparece no Sul do país, nos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Também era encontrada em São Paulo.

No Brasil, a Mata dos Pinhais, ou das Araucárias, constitui a nossa única floresta subtropical, ou temperada quente. Essa formação é a floresta mais desmatada em nosso país quando da instalação dos migrantes europeus para construção de suas casas. Entretanto, foi a zona pioneira em reflorestamento.

Além do pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia) que é predominante, existem outras espécies de pinheiros, além de gramíneas e samambaias. Atualmente encontram-se praticamente extinta. Fonte: www.frigoletto.com.br

A história da araucária, ou pinheiro-do-paraná (Araucária angustifolia), pode ter um triste fim com a extinção da espécie em menos de um século de exploração predatória. Inseridas no domínio da Mata Atlântica e classificadas cientificamente como Floresta Ombrófila Mista, as florestas de araucárias ocorriam originalmente numa área contínua na região compreendida entre os estados do Rio Grande do Sul e Paraná, com manchas em São Paulo e Minas Gerais. Atualmente estão reduzidas a aproximadamente 1,2% da área original.

Matas de Araucária: Pinheiros do Paraná à Beira da Extinção
por João Paulo Capobianco.

Estudos revelam a existência de nove variedades de araucárias ocorrendo em diferentes associações com espécies vegetais de grande importância econômica, como a imbuia, a canela lageana, o pinheiro-bravo, a canela sassafrás e a erva-mate. Esta última também tem valor ambiental, pois é explorada no sub-bosque da floresta.

Atualmente, do pouco que restou das matas de araucárias, apenas 40.774 hectares encontram-se legalmente protegidos em 17 Unidades de Conservação, perfazendo um total de 0,22% da área original. Fonte: www.mre.gov.br

DOMÍNIO DAS ARAUCÁRIAS
Esse domínio está localizado nos Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná, onde se observa uma estrutura geológica que alterna camadas de arenito e basalto, que contribui para a ocorrência dos solos de terra-roxa, de elevada fertilidade natural devido à constituição argilosa e ao alto teor de ferro presente em sua constituição.

A Floresta de Araucárias está associada com a ocorrência do clima Subtropical de temperaturas moderadas, com chuvas bem distribuídas no decorrer do ano e elevadas amplitudes térmicas, sofrendo a influência da massa Polar Atlântica.

Essa floresta adapta-se ao clima úmido, com precipitações superiores à 1200 mm por ano, e à altitudes mais elevadas; no Sul do país sempre ocorre acima de 600 m e na Serra da Mantiqueira, localizada no Brasil tropical, só aparece nas áreas acima de 1200m.
A floresta subtropical brasileira é aciculifoliada e homogênea com o predomínio do pinheiro da Araucária Angustifólia e do Podocarpus, associados com algumas outras espécies, como é o caso da Erva-mate e da Canela. Esse é o hábitat da Gralha Azul, a principal ave responsável pela dispersão das espécies vegetais.

A Mata de Araucárias também já sofreu uma grande devastação e dela restam apenas alguns pequenos núcleos de floresta original. O seu desaparecimento deve-se à extração de madeiras e também esteve relacionado coma expansão da agricultura, só que, nesse caso foi a pequena produção comercial desenvolvida pelas famílias dos descendentes de imigrantes que ocuparam o sul do país.



O Lago de Nenúfares do Vale Encantado


Presente no lago do Vale Encantado em Campos do Jordão SP, o nenúfar é rei e senhor. Encantados pela beleza da sua flor, traz fascinação aos olhos de quem o vislumbra. Como jangada ou como plataforma de mergulho, veneram-no as rãs. Ali namorei minha princesa!

A visita ao lago, sempre foi um ritual de verão. (No verão a sombra do nenúfar evita que a água aqueça excessivamente). Seu habitat são as águas doces estagnadas ou de corrente fraca (remansos de rios, charcos, lagoas).

Conhecido nos EUA como alligator bonnet – à letra seria “boné de crocodilo”, provavelmente porque em alguns lagos daquele continente coexistem Nenúfares e crocodilos que, quando assomam à superfície por debaixo das folhas, parecem ter bonés nas cabeças… – esta planta é compacta, produz um efeito espetacular e as flores são muito aromáticas. O nome do gene vem de Nympha, uma deusa da natureza na mitologia grega e romana.

No seu lugar de origem, África e partes da Ásia, crescem espontaneamente em lagoas e lagos sem corrente, e podem crescer em climas temperados e frios, perenes cuja floração começa no outono e, ainda, em lugares tropicais nos quais perdem as folhas no inverno, o que facilita a entrada de luz no lago.
O Nenúfar é uma planta perene, que hiberna no inverno até chegarem os primeiros dias quentes da primavera.

As pétalas abrem de manhã e fecham-se ao fim do dia; recolhe à noite, para logo reabrir pela manhã. Cada flor dura cerca de três a quatro dias, mas quando retirada do seu habitat natural para ser colocada numa jarra por exemplo, dura muito menos.

No Vale Encantado, os nenúfares que ali existem são dos mais pequenos de todos. Eles dão cor e brilho à área em torno do Lago, onde atinge todo o seu esplendor. Além de oferecer um belo colorido, são compatíveis com peixes ornamentais e outras espécies vegetais. Crescem espontaneamente em Campos do Jordão, porque o clima é frio a temperado. Suas flores são de rara beleza, exalando um sabor delicado. Existem várias seleções de cores e tipos diferentes: há todos os tons: branco, creme, rosa pálido, amarelo, azul e até roxo.

São conhecidos também com Lírios d’água, Flor de Lótus e ninfeia.
As flores têm pétalas muito brancas com um centro amarelo e aveludado. A flor é aromática, atinge 10-23 cm de diâmetro e dura todo o verão em praticamente todas as regiões da Serra da Mantiqueira. Quando as folhas se desenvolvem e ocupam muita da superfície da água -  o que acontece com frequência - as flores que normalmente flutuariam à superfície crescerão um pouco mais à procura de espaço e de luz e elevam-se uns centímetros acima da água, com grande elegância.
Os eslavos acreditavam que o lírio poderia proteger as pessoas de várias aflições e problemas durante suas viagens. Indo em uma viagem longa, as pessoas costuravam em pequenos sacos, amuletos deixavam o lírio de água e flores, usado como um amuleto para si mesmo.

Os gregos antigos estabelecidas a lenda de uma ninfa jovem que ama Heracles e ligou o amor não correspondido de uma flor encantadora.

Todas as manhãs, ele abre as pétalas em direção ao sol e à espera de seu amante. Na Roma antiga, também, amava o lírio-d'água.

Em um dos afrescos descobertos em Pompéia templo você pode ver as flores de nenúfares que adornam os deuses alados. Muito poético dizer da origem da água lírio é uma antiga lenda de índios norte-americanos.

Um dos grandes chefes indígenas, morrendo, deixe a seta céu dourado. Gostei muito deste boom Vênus e a Estrela do Norte. Ambos queriam pegá-la, correu para seu rosto e assim que caiu a faíscas terra estrela. Dessas faíscas nasceram belas flores de nenúfares.


A Beleza Invernal dos Rubros Rododendros em Flor.

Em Campos do Jordão SP, na Serra da Mantiqueira, todas as primaveras e início do verão, ao longo da avenida que segue sentido Capivari, no trecho compreendido desde a Parada Damas até a Estação de Emílio Ribas, é marcada pela profusa floração de rododendros.

A cidade se renova, ganhando novas e atrativas tonalidades, ficando ainda mais colorida com as cores dos rododendros, que florescem às vésperas da Primavera. Enchem as avenidas de cores e vida. São parte da paisagem urbana. As flores do rododendro cor-de-rosa também dão fulgor à Estação de Abernéssia, magníficos, imponentes, explodindo em cor, manchas carmesins num jogo de cores maravilhoso. Um aspecto contorcido de grande beleza.

São arbustos que se apresentam carregadas de flores cor de rosa, vibrante e bem integradas na envolvência verdejante de um agradável gramado. São resistentes ao frio, e comportam-se bem em zonas de vegetação. Suas folhas tem um tom verde vivo e sua floração é farta, formando belos ramalhetes com grande impacto visual. Desde árvores a pequenos arbustos, surgem nestes canteiros com folha caduca ou persistente, de flor pequena ou de grandes dimensões, com uma grande gama de tons – do rosa, violeta ou vermelho. Apelativas flores cheias de cor, a maioria floresce durante um curto período de tempo anualmente, durante o qual adquirem cores muito vivas. São flores muito populares da época, que na Serra da Mantiqueira encontram as condições ideais de desenvolvimento: solo ácido, humidade, precipitação e temperaturas amenas.

Vamos conhecer o rododendro:

Rododendro é o nome comum dado ás plantas do género Rhododendron , da família das ericaceas.
Existe em forma de árvore, arbusto, pequena planta ou bonsai... Pode ter folha caduca ou persistente...
Existem mais de 500 espécies (wikipédia diz que mais de 1000!) e inúmeras variedades e híbridos que incluem as Azáleas... Como já disse o tamanho dos rododendros varia muito e vai desde as variedades anãs alpinas até ás árvores de grande porte com 18m de altura. No entanto a maioria das espécies sã arbustos de jardim que variam entre os 1,5 e os 3 metros.

 Encontram-se flores de todas as cores, sendo normalmente de forma afunilada, tubulares, em forma de sino ou redondas, nascendo em cachos ou individualmente. Geralmente florescem no final do Inverno ou na Primavera.

A maior parte dos Rododendros é proveniente das regiões dos Himalaias da Índia, da China, da Birmânia, e do Tibete... mas hoje em dia encontram-se em praticamente todos os continentes.

Todos os rododendros contêm uma toxina chamada Graianotoxina no polén e no néctar, e por isso o mel produzido a partir dessas plantas é muito venenoso. O resto da planta é venenosa para os cavalos, especialmente as folhas

Conheça a lenda:

"Na Primavera de 401 a.c. o anfitrião grego foi pelo caminho da montanha de Colchis para encontrar o Tosão de Oiro. Tribos marciais locais atacaram os conquistadores, mas todas as tentativas falharam. Os gregos ficaram contentes porque tudo lhes estava a correr de feição. Contudo, algo trágico aconteceu ao anfitrião ateniense. Alguns soldados encontraram um grande ninho de abelhas, provaram o mel e caíram inconscientes. Xinofonte, o comandante do exército descreveu o acontecimento: " Não havia nada de suspeito, mas havia muitas colmeias e todos os soldados que provaram o mel caíram inconscientes. Havia muitos soldados doentes, como se tivessem saído de uma batalha. Mas no dia seguinte ninguém havia morrido. Eles começaram a recuperar a consciência e após o terceiro e quarto dia todos eles já se sentiam melhor."

Mais tarde descobriram que os soldados comeram muito mel proveniente das flores silvestres rododendro, flor da família das azáleas. A mais famosa da família das azáleas é a azálea indiana. As suas flores estão cheias de néctar, mas o mel possui características específicas e tem alguns alcalóides perigosos."

Alpes de Campos do Jordão


Um dia, visitei os Alpes de Campos do Jordão a trabalho, então chamado “São José dos Alpes”. Com mais de dois mil metros de altitude e com o tempo bom, de lá se avista mais de dez cidades do Vale do Paraíba e Sul de Minas Gerais.

O acesso a São José dos Alpes se dá através de uma estradinha de terra que se inicia junto ao Horto Florestal. De lá até o cume da montanha são aproximadamente sete quilômetros de subida dura, íngreme, mas que vale qualquer sacrifício por suas belezas naturais.

Ao se chegar no topo outras surpresas, como topografia suave e a presença de um lago de águas cristalinas, talvez o mais alto do Brasil. A vegetação e a fauna se destacam pela diversidade e preservação, já que o local é pouco visitado.

Ali chegando, pude avistar para antegozo de minha alma, os montes e campos que formam aquela bela paisagem alpina com seus recantos de flores exóticas, pássaros raros, animais silvestres, regatos e nascentes. As bromélias se estendem e debruçam pelas margens da estrada.

Ao meio do caminho, como que no cimo da montanha, observei uma fina neblina que surgia à frente, tirando-me toda aquela deslumbrante e encantadora visão. Era puro russo. Era nuvem. Aos poucos foi se tornando mais densa, até ao ponto de não poder ver mais coisa alguma que porventura pudesse saltar aos olhos. Nada de estrada, campos, regatos, montes, morros, árvores, pássaros, flores, subidas e descidas e coisas assim. Tudo russo. Senti também um frio tão intenso como se estivesse dentro de um freezer. Estava, sim, envolvido por uma espessa nuvem. Preocupado com a mudança repentina daquela vista panorâmica, comecei então a pensar e a imaginar qual seria o sentimento, o prazer, e a emoção de estar inteiramente envolvido no meio de uma nuvem gigantesca. E realmente, era o que estava acontecendo naquele momento. Fiquei extasiado com a rara beleza natural.

Um pouco mais adiante, vi que estava à margem da estrada (dentro do veículo onde me encontrava, é claro) e ao meu lado, via também o despenhadeiro, se é que posso chamar assim, de onde, olhando para baixo, vislumbrava um lindo vale, extenso, grande, cortado por um longo rio cheio de curvas largas e estreitas. À sua volta, algumas cidadezinhas...

De repente, mais que de repente, aquela cena ofusca-se e volto novamente a ver a densa neblina, tapando toda aquela beleza alpina. Assim, conforme avançava pela estrada, subindo e descendo, ora vislumbrava o vale, ora não via nada, além daquele russo cinza, branco e frio.

Guardei no meu coração esta deslumbrante cena para poder em outra ocasião, ponderar sobre o fato. E assim aconteceu.

Trouxe a memória, uns anos atrás quando morava numa das cidadezinhas daquele vale, um dia em que o tempo não estava lá tão belo assim. Tempo fechado, sem sol, sem um pedacinho da cor azul do céu, apenas grossas, pesadas e negras nuvens anunciando uma chuva para daqui a algumas horas. Olhava para o alto na direção daquelas montanhas e Alpes, só via nuvens e mais nuvens, nada mais.

Ora, a fé é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver.

Contemplando este fascinante retrato da natureza, cheguei a conclusão que o homem, às vezes, exerce sua fé da mesma maneira que aquele fenômeno natural: ele oscila, ora para o resplendor e o brilho, ora para a sombra e a escuridão. É o vai-e-vem de uma fé não desenvolvida e exercitada o necessário para o seu progresso espiritual. Sim, nossa fé também é da mesma forma. E o que mais me chamou a atenção, é que quando estava no topo da montanha e olhava para baixo, não podendo ver nada além da neblina, sabia sem dúvida alguma que lá embaixo existiam cidadezinhas, vales, rios... E, quando vivi no vale e olhava para as montanhas com suas intempéries, não vendo nada além das grossas nuvens, sabia também sem sombra de dúvidas, que além, existia uma linda região alpina com seus picos, montes, morros, árvores, flores exóticas, pássaros e nascentes cristalinos!

Aprendi que a fé nos faz ver além, tanto coisas do céu como as da terra, visíveis e invisíveis, físicas e espirituais; mesmo não as vendo, elas existem e estão lá, fixas, sempre e eternamente, no mesmo lugar onde Deus as criou e as mantém, para o serviço do homem. O homem viverá de fé.

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb. 11,1)

2 comentários:

  1. São José dos Alpes mudou muito, e para pior. Onde havia o lago de águas cristalinas, poéticamente descrito pelo historiador, há somente pastagens. Tudo transformado numa fazenda de criação de cavalos, num haras.
    Foi o que constatei ontem, 2 de setembro de 2017, depois de mais de dez anos sem visitar o Mirante de São José dos Alpes, a quase 2.000 metros de altitude.
    O altiplano, antes dominado pelos campos naturais, semelhantes aos páramos andinos, e a mata nebular, foi totalmente cercado, uma fazenda de cada lado da estrada.
    Isso seria inconcebível de se encontrar numa Área de Preservação Permanente e no entorno ou zona de amortecimento do Parque Estadual de Campos do Jordão, uma unidade de conservação da categoria de proteção integral criada em 1941.
    Um crime ambiental!

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  2. Verdade, amigo. Infelizmente a natureza emurcheceu-se. S, um pouco, com a ajuda das mãos do homem. lamentável.

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