Biografias


                    O Carnavalesco, Orlandinho.

Durante as festividades carnavalescas, o folião ORLANDO GARCIA DE MELO, conhecido popularmente como Orlandinho, desfilava pelas avenidas centrais de Vila Abernéssia com a maravilhosa fantasia que lhe valia o prêmio de primeiro lugar. Com alegria desmedida, empunhava o troféu recebido, acompanhado de foliões, também fantasiados, pertencentes ao seu grupo. Exibia, nos desfiles carnavalescos dos quais participou, suas belas fantasias, muitas até bastante simples, porém elaboradas de acordo com suas possibilidades financeiras bastante diminuta e acanhada, fazendo parecer, especialmente para ele – creio que sua maior preocupação – a mais linda e preciosa fantasia do mundo.

Orlandinho, era filho de Nhá Chica, como era conhecido por todos em Campos do Jordão.

Era uma pessoa calma e tranquila. Nunca escondeu, de forma alguma, sua preferência homossexual. Sempre muito educado, costumava vestir-se com roupas tradicionais masculinas, principalmente o paletó, somente demonstrando ser diferente através da sua voz e trejeitos femininos quando falava e, um pouco, quando caminhava.

Sempre muito prestativo e conhecedor dos principais passeios turísticos de Campos do Jordão, ficava à procura de grupos de turistas, oferecendo-se como cicerone. Durante muito tempo conseguiu angariar algum dinheiro para seu sustento, sempre reservando alguma pequena parcela para possibilitar a confecção das suas fantasias, visando desfilar, durante as festividades carnavalescas, pelas ruas e avenidas de Vila Abernéssia – acredito ser seu maior sonho durante toda sua vida, depois de adulto. Nessas oportunidades, aproveitava para fazer aflorar largamente seu lado feminino. Também era tido como competente e excelente faxineiro. Muitas pessoas que costumavam contratá-lo para fazer faxina em suas residências diziam que a limpeza que ele fazia era, muitas e muitas vezes, superiores àquelas feitas pelas faxineiras. Diziam que as casas ficavam totalmente limpas e maravilhosas. Também, parte desse dinheiro que ganhava com esses serviços era reservada para suas fantasias carnavalescas.

Morou por vários anos no conhecido loteamento popular Monte Carlo, situado no caminho de acesso ao tradicional e antigo Sanatório Ebenezer, e Hotel Umuarama, nas proximidades da antiga represa que canalizava água para geração de energia elétrica da Usina Evangelina Jordão, de Vila Abernéssia, durante as décadas de 1930 até 1960. Durante todo o tempo em que morou nesse loteamento, mantinha grande preocupação com toda comunidade carente que lá residia. Com algumas economias guardadas com muita dificuldade e ajuda de amigos a quem recorria, conseguia elaborar, nos meses de dezembro, na semana que antecedia o Natal, com ajuda de amigos, um almoço simples, porém bastante nutritivo e substancioso, normalmente uma lauta macarronada com molho de frango ensopado, que era servida à comunidade carente do bairro. 

No dia 16 de abril de 2010, infelizmente, Orlandinho morreu no hospital são Paulo, onde estava internado, algum tempo após as festividades carnavalescas. Campos do Jordão ficou triste. O Carnaval de Campos do Jordão sente a falta irreparável do saudoso Orlandinho. 

Agora, não temos mais, desfilando garbosamente pelas ruas e avenidas centrais de Vila Abernéssia, com suas maravilhosas e inesquecíveis fantasias, a figura tradicional, alegre, entusiasmada e querida do Orlandinho.

Alguns anos se passaram, e até agora, lamentavelmente, as investigações não conseguiram chegar a uma conclusão sobre o autor ou autores do infausto crime. Uma coisa é certa, o Carnaval de Campos do Jordão, há muito tempo, de ano para ano, vem perdendo aquele brilho especial que já chegou a projetá-lo como um dos melhores carnavais da região, sendo procurado por foliões vindos de várias cidades do Estado de São Paulo e até do Rio de Janeiro. 

A Prefeitura Municipal de Campos do Jordão homenageia ORLANDO GARCIA DE MELO, o carnavalesco Orlandinho, promulgando uma Lei que dispõe sobre a denominação de uma via Pública no Bairro Monte Carlo que leva o seu nome.



                                                                                                                    Jagobo Pan

Jaume Gonzalez Bover, Jagobo Pan, abreviatura e nome artístico utilizando as primeiras sílabas do seu nome e PAN, criado por ele, significando Por Amor à Natureza, foi um Pintor espanhol, nasceu em Barcelona, em 1922, mas nunca se considerou espanhol, mas sim catalão.  Ele era filho de Eladio Gonzalez e Maria Luiz Bouve.

No Brasil, participou dos VII e IX Salões nacionais de Arte Moderna (Rio de Janeiro, 1958 e 1960), V Bienal de São Paulo (1959), II, IV e V Salões do Trabalho (SP, 1963, 1965 e 1966), II Salão de Arte Moderna do Distrito Federal (1965), XXIII Salão Paranaense de Belas Artes (1966), I Bienal Nacional de Artes Plásticas (Salvador, 1966), etc.

Jagobo, o pintor. Jagobo, o fotógrafo artista. Jagobo, nascido em Catalunha, na Espanha distante, e que se fez jordanense a exemplo de uma enorme parcela da nossa população, Jagobo Pan ofereceu à arte muito da sua própria vida, plena de sensibilidade à beleza das flores que enfeitam os campos, de amor ás matas cuja quietude reflete a paz da sua alma, de apego ao afago do luar que ele sabe como sentir com toda a suavidade.

Em 1981, o artista fotógrafo registrou vários momentos da vida cotidiana e o resultado de seu trabalho foi apresentado em mais de 30 fotos que ficaram expostas em tradicional galeria da capital paulista. Sua arte merece nossos aplausos. Jagobo é digno de nosso respeito.

Infelizmente, adquiriu tuberculose e se internou em Sanatorinhos (S-3), em Campos do Jordão onde foi desenganado pelos médicos, mas o clima Jordanense o ressuscitou para a vida, fazendo-o ingressar em uma fase mística. Encanta-se com a natureza jordanense e começa a ensinar as artes das tintas, tornando-se professor da Prefeitura Municipal até 1967. Durante boa parte da sua vida morou em humilde choupana situada no Morro das Andorinhas, em Vila Abernéssia, atrás do Mercado Municipal. Andava muito pela cidade toda, sempre com sua sacola e seu guarda-chuvas.

Foi nomeado Presidente do Conselho Municipal de Cultura e o Espaço Cultural do Banco do Brasil, à época, instituiu o “Prêmio Professor Jagobo” para o melhor artista revelado na Estância.


O momento mais emocionante de sua vida foi quando encontrou o oceanógrafo Jacques Cousteau em Campos do Jordão. Em vida, o seu nome foi dado a uma via pública.
Seu nome consta de vários dicionários entre eles o “Delta Larousse”, o INL – Instituto Nacional do Livro e o MEC – Civilização Brasileira do Ministério da Educação e Cultura.
Sofreu um acidente automobilístico em 1967 e ficou impossibilitado de trabalhar, mas mesmo assim vivia por teimosia, com a vestimenta pobre, cabelos compridos e barba abundante. Faleceu em Campos do Jordão em 16 de abril de 1996.

Fonte:
Jornal Campos do Jordão notícias, de maio de 1981, Ano VI, nº 67

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