Biografias



Pequena Biografia do Professor Harry Mauritz Lewin 


O prof. Harry Mauritz Lewin, nascido em 25 de julho de 1909, no antigo Distrito Federal-RJ, filho de Augusto Lewin, de nacionalidade sueca e Adele Luize Hartwig, de nacionalidade alemã.
No ano de 1914, com apenas cinco anos de idade, foi para a Inglaterra e, na cidade de Cambridge, antiga cidade inglesa sede do condado de Cambridgeshire. Lá permaneceu até 1920, quando completou 19 anos. Daí seu total domínio do idioma inglês. Falando e escrevendo fluentemente a língua inglesa, com grande habilidade, durante boa parte de sua vida, como excelente professor, dedicou-se a ensiná-la, a inúmeros alunos que o procuravam para aprender um pouco dessa língua quase universal.

Além dos idiomas, português e inglês que dominava com grande fluência, tinha muita facilidade e bom domínio com outros idiomas, dentre eles, o espanhol, o francês, o italiano, o sueco, alemão e até o grego, considerando que no auge de sua juventude, dominando vários idiomas, foi indicado como adido na Embaixada de Israel, na Grécia.


O prof. Harry fez parte do grande time daqueles que, inicialmente, vieram para esta cidade, somente em busca da cura da tuberculose e que, após conseguir o intento, aqui permaneceu. Chegou a Campos do Jordão para tratamento de saúde em 1940 e foi lecionar no Grupo escolar “Dr. Domingos Jaguaribe” para a 3ª série primária. 

Mais tarde chegou a lecionar Matemática no CEENE – Colégio Estadual e Escola Normal Estadual de Campos do Jordão, administrando aulas de Geografia, História, Francês, Inglês (sua principal especialidade, dominava o idioma português e outros idiomas, além do sueco, em virtude dos laços de paternidade, já que seu pai era sueco; a Física e outras matérias relevantes, como Matemática, e, eventualmente, Trabalhos Manuais.

No decorrer das décadas de 1950 a 1970, o prof. Harry ainda prestou relevantes serviços à nossa cidade e aos seus estudantes, especialmente na área da Educação. 



O Professor Harry foi casado com a Senhora Selma Fernandes Lewin e tiveram sete filhos: Roberto, Carlos, Maria Helena, Rose Mary, Clarence, Paulo e Deodoro. 
Participou de muitas atividades culturais em Campos do Jordão, prestou serviços para a Empresa de Ônibus Hotel dos Lagos, concessionária dos serviços de transportes coletivos da cidade, por várias décadas, sendo substituída pela Vila Natal Turismo e, posteriormente, pelo Expresso da Mantiqueira e hoje, Pássaro Marrom. Juntamente, com um grupo de amigos, prestou atividades na Biblioteca Municipal de Campos do Jordão por muitos anos, desde a época do prefeito Dr. José Antonio Padovan, até a sua morte em 07 de março de 1971. Na Biblioteca, além de orientar e participar efetivamente de toda a sua organização e montagem, organizou diversos cursos dos quais era o professor: Admissão ao Ginásio e principalmente a matemática e o inglês. Salvou a vida de inúmeros estudantes, especialmente em épocas de provas e de exames de segunda época, modalidade de provas que existiam antigamente para aferir os conhecimentos daqueles que não conseguiam a média necessária para a aprovação direta (em primeira época), aos quais ficava faltando alguns pontos percentuais para aprovação necessária.


Com muita paciência e a toda prova, seu estilo inigualável e simpatia, delicadeza e sabedoria, formava grupos de alunos, separados por disciplinas, como a Matemática, Física, Inglês, etc. e na sala principal da Biblioteca Municipal, na única mesa existente, em diversos horários de manhã à noite, incansavelmente, ia verificando os pontos fracos de cada um e formulando as suplementações necessárias. 

A grande maioria dos estudantes que recorriam ao prof. Harry sempre obteve sucesso nas provas a que foram submetidos. E, todo esse trabalho, de grande profundidade para a geração estudantil da época, era feito gratuitamente. Após seu falecimento a 07 de março de 1971, os homens públicos jordanenses, sabiamente, eternizaram seu nome em na Biblioteca Pública Municipal.

Fontes:

PAULO FILHO, Pedro. TCC, A Luta e a Vitória. 2017. Disponível em: <http://www.pedropaulofilho.com.br/cronica_61_tcc.php>. Acesso em: 31 mar. 2017.

ROCHA, Edmundo Ferreira da. Prof. Harry, Mestre Maravilhoso e seu Clubinho de Inglês. 1990. Disponível em: <http://www.camposdojordaocultura.com.br/ver-cronicas.asp?Id_cronica=56>. Acesso em: 31 mar. 2017.

Jornal “A Cidade de Campos do Jordão", de 03/05/1953 e 02/04/1972

Jornal “Impacto Vale News” de 20 a 30 de abril de 2002



GENGO SAKANE

Natural da cidade de Kojima, província de Okayama, nasceu em 11 de fevereiro de 1918. Cursou o primeiro grau na escola primária de sua cidade.

Em junho de 1930 veio para o Brasil, com o pai Shunichiro Sakane, pelo navio Nakata Maru, dirigindo-se para a Colônia Bastos.

Em outubro de 1930 foi convidado pelo dr. Shiziuo Hosoe para prestar-lhe pequenos serviços, e quando este foi transferido para a capital em 1935, acompanhou-o, vindo residir em São Paulo. Durante esse período trabalhou no hospital Dojinkai e fez o curso de enfermagem na Santa Casa.

Em novembro de 1936, na conclusão das obras do Sanatório Dojinkai, de Campos do Jordão, Gengo Sakane é designado funcionário do setor médico, passando a enfermeiro-responsável, após receber habilitação em 1939. Em 1º de junho de 1971 assumiu o cargo de administrador do sanatório. Após a segunda guerra mundial o sanatório Dojinkai passou a denominar-se Sanatório São Francisco Xavier.

Pelos relevantes serviços prestados à comunidade, principalmente na assistência aos enfermos do sanatório São Francisco Xavier, ao qual se dedicou há mais de 50 anos, Gengo Sakane recebeu inúmeras condecorações:

Em junho de 1958, por ocasião do cinquentenário da imigração japonesa, foi agraciado com o diploma de reconhecimento e mimo do Ministro das Relações Exteriores do Japão, Aichiro Fujiyama. Em abril de 1971 recebeu o diploma de reconhecimento da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo. Em maio de 1976 recebeu a comenda “Brigadeiro Couto Magalhães”, em solenidade na Câmara Municipal de Campos do Jordão. Em 15 de setembro de 1976, por ocasião do 40º aniversário do Sanatório São Francisco Xavier, recebeu da Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo, diploma de agradecimento. Em 29 de abril de 1978 foi condecorado com a comenda “Kun Rokutô” do Sol Nascente.


Referência Bibliográfica:

MASAKAZU, Arakaki. Sakurabana: Presença japonesa na Mantiqueira. Campos do Jordão: Lis Gráfica e Editora Ltda., 1988. 196 p.
                    



 Oswaldo Cruz e a Erradicação da Febre Amarela

No início do século XX, o médico sanitarista Oswaldo Cruz venceu o mosquito Aedes aegypti e algumas epidemias, como a de febre amarela, com ações radicais que eliminaram o inseto em meio a críticas e protestos dos cariocas. Por incrível que pareça, mais de cem anos depois, o mosquito voltou com força total: além de transmitir a dengue, a zika e a chicungunha, pode trazer de volta a febre amarela às grandes cidades brasileiras. 
Oswaldo Gonçalves Cruz, nascido em São Luís do Paraitinga, em São Paulo, no dia 5 de agosto de 1872, ainda criança mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, então capital da República. Na cidade, estudou no Colégio Laure, no Colégio São Pedro de Alcântara e no Externato Dom Pedro II, ingressando muito jovem, aos 15 anos, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Aos 20, já estava formado.
Durante o curso interessou-se pela microbiologia a ponto de montar um pequeno laboratório no porão de sua casa. Sua tese de conclusão de curso intitulava-se “Veiculação microbiana pelas águas”. Em 1896, Oswaldo Cruz foi estudar bacteriologia no Instituto Pasteur, em Paris. Na época a instituição reunia grandes nomes das ciências como Émile Roux, cofundador do instituto, colaborador de Louis Pasteur e descobridor do soro antidifteria, e Ilya Mechnikov, ganhador do Nobel de Medicina de 1908 pelos seus trabalhos sobre imunidade.
Ao voltar da Europa, Oswaldo Cruz encontrou o Porto de Santos assolado por violenta epidemia de peste bubônica e logo se engajou no combate à doença. Para fabricar o soro contra a peste, foi criado, em 25 de maio de 1900, o Instituto Soroterápico Federal, instalado na antiga Fazenda de Manguinhos no Rio de Janeiro, tendo como diretor-geral o Barão de Pedro Afonso e diretor técnico o jovem bacteriologista. Em 1902, assumiu a direção-geral do instituto.
A cidade do Rio de Janeiro nos primórdios do século XX era caótica em termos habitacionais e sanitários. Com uma rede de água e esgoto precária, a população pobre vivia em cortiços, e a coleta de lixo era ineficiente. Não é à toa que várias doenças proliferavam: tuberculose, sarampo, tifo, febre amarela e peste bubônica. O presidente Rodrigues Alves (1902-1906) deu plenos poderes ao prefeito Francisco Pereira Passos (1902-1906) para encontrar uma solução para os problemas urbanísticos e sanitários da cidade. Passos ordenou a malha viária da cidade, alargou ruas, abriu a Avenida Central (hoje Avenida Rio Branco) derrubou cortiços e iniciou o processo de saneamento.
À frente das campanhas contra as doenças, Oswaldo Cruz, que em 1903 havia sido nomeado diretor do Serviço de Saúde da capital da República e prometera acabar com a febre amarela em três anos, travou uma verdadeira guerra contra o desconhecimento da população de como agiam os vetores causadores, principalmente, da peste bubônica e da febre amarela. Em poucos meses, a incidência da peste bubônica diminuiu com o extermínio dos ratos, cujas pulgas transmitiam a doença.
Em 5 de dezembro de 2015, O GLOBO publicou a reportagem “O homem que venceu o Aedes”, descrevendo um dos métodos de Oswaldo Cruz para combater a peste. “O sanitarista incentivou a população a entregar roedores ao seu instituto em Manguinhos. Pagava um preço irrisório, mas o suficiente para que diversas pessoas começassem a criar os animais para depois vendê-los. A estratégia foi tema da marchinha 'Rato rato', no carnaval de 1904. A finalidade capitalista fica clara nos versos finais da música: Rato velho como tu faz horror / Não valerá teu qui-qui / Morrerás e não terás quem chore por ti / Vou provar-te que sou mau / Meu tostão é garantido / Não te solto nem a pau”.
Contra a febre amarela, o sanitarista usou um batalhão de mata-mosquitos que pulverizavam residências, jardins, quintais e ruas onde eram encontrados focos. Sua atuação gerou enorme descontentamento popular, pois grande parte dos médicos e da população acreditava que a doença se transmitia pelo contato com as roupas, suor, sangue e secreções de doentes. No entanto, Oswaldo Cruz apostava que o transmissor da febre amarela era um mosquito. Ele foi muitas vezes combatido e ridicularizado pela imprensa. Era tema recorrente dos chargistas, que não poupavam críticas às medidas adotadas, e alvo de violentos discursos no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, com sede no Centro do Rio.
O ápice do combate às campanhas sanitaristas de Oswaldo Cruz foi quando implantou a vacinação obrigatória contra a varíola. Cariocas já estavam revoltados por terem perdido suas casas no processo do “bota-abaixo”, promovido por Pereira Passos, e temiam que as mulheres fossem obrigadas a se despir na frente de desconhecidos para tomar a vacina. Foi o estopim para que ocorressem vários conflitos de rua entre populares e as forças policiais durante uma semana, entre os dias 10 e 16 de novembro de 1904. Lojas e prédios públicos foram depredados; bondes, virados; trilhos, arrancados, enquanto a população, principalmente a mais pobre, recusava-se a receber os agentes públicos. Este foi o resultado do episódio que ficou conhecido como Revolta da Vacina.
O governo suspendeu momentaneamente a vacinação, decretou estado de sítio e prendeu os principais líderes do movimento, deportando-os para o Acre, na longínqua Amazônia. Ao final dos confrontos, foram registradas cerca de 30 mortes e cem pessoas ficaram feridas. Controlada a revolta, a vacinação obrigatória foi retomada e, em pouco tempo, a varíola foi erradicada.
Em 1907, a febre amarela já estava erradicada do Rio de Janeiro. Já em 1908 nova epidemia de varíola levou a população a ir voluntariamente aos postos de vacinação. No mesmo ano o Instituto de Patologia Experimental de Manguinhos é rebatizado como Instituto Oswaldo Cruz, cuja construção do castelo em estilo mourisco, na atual Avenida Brasil, tinha sido iniciada pelo arquiteto Luis Moraes Junior.
Em 1910, o sanitarista viajou à Região Amazônica para tentar erradicar doenças que afetavam os trabalhadores da estrada de ferro Madeira-Mamoré. Três anos depois, ele virou imortal, sendo eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Mas em 1916, por questões de saúde, deixou o instituto e fixou residência em Petrópolis, na Região Serrana do Rio.
O médico chegou a ser eleito prefeito da Cidade Imperial. Lá elaborou um plano de urbanização, que não pôde ver concluído. Ele morreu cedo, aos 44 anos, de insuficiência renal, deixando a viúva Emília Cruz, com quem se casara em 1893 e teve seis filhos.
No mês de agosto de 1972, por ocasião do centenário de nascimento do cientista, O GLOBO publicou uma série de oito reportagens intitulada “Oswaldo Cruz, a vitória da ciência”. Nelas contava sua trajetória desde o nascimento, passando pelas batalhas para erradicar as epidemias no Rio na primeira década do século XX, até o seu falecimento.
Atualmente a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é referência mundial na pesquisa científica e na produção de vacinas. Sua produção é exportada para mais de 70 países.
        

Leia mais: http://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/cientista-medico-sanitarista-oswaldo-cruz-erradicou-febre-amarela-no-rio-20894450#ixzz5514Y7NBj                                                                      


                                                                       Dr. Robert John Reid


Dr. Robert John Reid veio para Campos do Jordão em 1903, para a demarcação das terras de Vila Natal, então pertencente a Casa Nathan Societé Financiere, depois desse serviço, adquiriu, por proposta dos proprietários que estavam para extinguir a firma, a quase totalidade das terras de Campos do Jordão, mesmo porque, a estas, valor nenhum foi dado pela casa Nathan. Excetuada a Vila Jaguaribe, já então pertencente à família do mesmo nome, as demais terras passaram a pertencer ao Dr. Robert John Reid, compreendendo todo o vale de Campos do Jordão até a divisa de Minas Gerais, numa extensão média de 06 a 18 quilometros de largura.

Fundou, então, juma vila, a qual deu o nome de Abernéssia, mantido até hoje. Esse nome, numa justa homenagem à sua terra natal, foi extraí

Foram iniciativas e realizações do Dr. Robert John Reid, a construção da Igreja, estação, mercado e posto policial. Construiu ainda o cinema, doando terras para as construções dos sanatórios Ebenézer e retiro dos Médicos, fazendo outras doações pequenas e particulares desprovidos de recursos.

A pobreza encontrou, sempre, no coração do Dr. Robert Jonh Reid, um refúgio salvador.

Foi, também, proprietário da empresa Elétrica de campos do Jordão e do fornecimento de águas, de sua construção e manutenção. Loteou toda a vila de sua fundação, abriu ruas, construiu rodovias e pleiteou, durante anos, a construção da estrada de ferro, em cujos esforços foi coadjuvado pelos Drs. Emílio Ribas, e Dr. Altino Arantes.

Exerceu durante vários anos, o cargo de Juíz de Paz, e presidente do Diretório do Partido republicano Paulista local.

O Dr. Robert John Reid, nasceu em Kirkill, condado de Inverness, na Escócia, no ano de 1868. Formou-se em engenharia, na Inglaterra, vindo para o Brasil em 1897, antes do que, passou cerca de 07 anos na vizinha República Argentina. Esteve durante cerca de 06 anos no Oeste de São Paulo, fazendo importantíssimas divisões de patrimônios. Fundou a cidade de Olympia, que até hoje homenageia o nome do seu fundador, dando-lhe o nome numa rua. Em 1903, veio para Campos do Jordão.

Dr. Robert John Reid faleceu, no dia 26 de novembro, aos 69 anos de idade, vitimado por uma peritonite aguda. Perdeu, com a sua morte, a estância climatérica um grande benfeitor. O povo, consternado, acompanhou o seu enterro e o comércio prestando sua homenagem, cerrou as suas portas.

O Dr. Antonio Gavião Gonzaga, prefeito sanitário, num gesto elegante, que bem vem justificar o quanto Dr. Robert John Reid estimado, decretou feriado municipal, ordenando que fosse o enterro feito às expensas da prefeitura e doando à família com juma sepultura perpétua, no cemitério local. Colocou ainda, a prefeitura, à disposição daqueles que não tinham meio de condução, os 03 auto-caminhões de seus serviços. O gesto do sr. Prefeito, digno de elogios, mereceu o aplauso de toda a população.

Fonte:
Jornal “Correio Paulistano, SP” de 05 de dezembro de 1937

Monsenhor José Vita


José Vita nasceu em 23 de março de 1895, em Sapucaí Mirim, pequeno município que antes era conhecido por Santana do Parnaíba, no território da Arquidiocese de Pouso Alegre em Minas Gerais. Era filho de Donato Vita, de nacionalidade italiana e de dona Maria Leopoldina de Ferreira Carvalho Vita. No começo de 1909, José Vita ingressou no seminário diocesano com 9 anos de idade na cidade de Pirapora, transferindo-se para o Seminário de Taubaté, no dia 20 de fevereiro de 1911.

Ordenou-se padre aos 24 anos, em 20 de abril de 1919 pelo Exmo. Núncio Apostólico D. Ângelo Scapardini. Em 1923 realizou seu sonho, tornando-se Vigário de uma Paróquia. Poucos meses depois, foi surpreendido por uma hemoptise.

Devido a sua peregrinação por várias cidades após sua ordenação, Pe. Vita adquiriu a tuberculose, doença esta que o fez vir para Campos do Jordão buscar sua cura, uma vez que a cidade era o polo brasileiro para o tratamento desta epidemia. Com a preocupação em ajudar pessoas necessitadas, o padre iniciou seus trabalhos com um grupo de homens enfermos, mas seu grande sonho era dar amparo às crianças.

Padre José Vita foi o terceiro Pároco da Igreja de Santa Terezinha, de 16 de setembro de 1930 a 18 de janeiro de 1931.

No começo do ano de 1926, Padre Vita devido sua saúde veio residir em Campos do Jordão, na Vila Abernéssia. Nesta cidade ele deparou com um grande número de tuberculosos e indigentes que vinham de várias partes à procura da cura de suas enfermidades pelo clima, que era propagado como benéfico a tratar das vias respiratórias. No entanto esses doentes ficavam alojados em casebres ou porões sem as menores condições de higiene. Vendo esta situação caótica que enfrentava o município, e com a intenção de minimizar este problema, construiu um grande pavilhão de madeira dotado de requisitos de higiene para dar assistência e conforto. Inaugurado em 1933, recebeu de imediato 24 doentes, dando aos mesmos um regime sanatorial com certo conforto e assistência médica.

O estabelecimento foi imediatamente lotado, e novos casos começaram a aparecer. Foi ampliado, e logo após tratando de 150 homens. Foi a primeira fase da existência do Sanatório São Vicente de Paulo. Em 1935 a conselho de vários médicos, e diante dos designo de Deus, Padre Vita transforma o abrigo em Sanatório para crianças tuberculosas. Feitas as modificações necessárias, em agosto de 1935 recebe a primeira criança tuberculosa. Como o pavilhão era de madeira e emergencial, resolve construir um grande Sanatório, com capacidade para 250 leitos e dotado de requisitos modernos e necessários para o combate à tuberculose infantil. O novo Sanatório foi inaugurado no dia 28 de abril de 1946 e dezenas de crianças foram transferidas ali.

Em 19 de março de 1954, inaugura a Casa da Criança Hospital Infantil, pois tinha como principal objetivo a assistência à saúde infantil. Havia também, o caráter assistencial com doação de sopas às crianças em extrema pobreza e doação de leite para as mães carentes. Apesar das dificuldades, e com o apoio de voluntários, conseguiu criar a chamada "Casa da Sopa", onde era distribuída comida gratuitamente e mais tarde fez o hospital para crianças.

Três Congregações deram assistência às crianças internadas: Irmãs de Maria Imaculada de São José dos Campos, irmãs Franciscanas, alemães, residentes em Pindamonhangaba, e a Congregação Franciscana do Coração de Maria de Campinas. Durante alguns anos muito se dedicaram. Padre Vita sentindo meio desamparado com a situação de dependência de outras instituições para dar continuidade ao trabalho que vinha desenvolvendo, teve a ideia de formar um grupo de moças para dar continuidade ao trabalho. No dia vinte e nove de junho de 1949, benzeu as medalhas e fez a imposição em cada uma das Oblatas. Assim ficou fundada a nova Associação, lavrada em ata e assinada pelas Oblatas Brasília Leite Soares, Maria das Dores Panisio, Benedita Miguel Dias, Maria Aparecida Monteiro, Elvira Maria da Conceição, Odila Oliveira Araújo, Sebastiana da Silva, Maria de Lourdes da Silva, Neuza Vaz da Silva. Em 26 de setembro de 1963 pelo Decreto contido nos Cânones 684-709-719, do Código de Direito Canônico e nos termos de seus estatutos, é erigida a piedosa Associação em Pia União, com o nome de Instituto das Filhas de Nossa Senhora das Graças. O Decreto Diocesano de 26-09-1963 aprova como Pia União, o Instituto das Filhas de Nossa Senhora das Graças inspirada na fundação do virtuoso Monsenhor José Vita, continuando a beneficiar os pequenos do rebanho, os pobres e doentes.

Ratificando o Decreto, no dia 1º de outubro de 1966, a escrita é assinada pelo Bispo Dom Francisco Borges do Amaral. Finalmente, com as graças e as bênçãos de Deus, o grande dia da entrega do Decreto de Ereção Canônica do Instituto das Filhas de Nossa Senhora das Graças, foi dada e passada no dia 25 de dezembro de 1981 por Dom Antonio Afonso de Miranda, Bispo de Taubaté.

O Instituto das Filhas de Nossa Senhora das Graças, constitui uma Família Religiosa, de direito diocesano. Têm como trabalho a assistência social em especial os desfavorecidos. Empenhado em resgatar a memória dos personagens que fizeram parte da história de Campos do Jordão, o Instituto do Patrimônio Histórico Artístico, Arquitetônico, Ambiental e Cultural (IPHAC) em parceria com o Instituto das Filhas de Nossa Senhora das Graças, abrirá para visitação o "Memorial Monsenhor José Vita".

No dia 7 de setembro de 1954, foi agraciado por decreto do Papa Pio XII, com o honroso título de Monsenhor Camareiro Secreto de S. Santidade, presente o Governador Lucas Garcez, e em 30 de abril de 1959, com o título de Cidadão Honorário de Campos do Jordão. 

Em 1969, foi Inaugurado no Auditório Padre Vita o busto do Monsenhor, em homenagem ao seu jubileu áureo sacerdotal. 

Faleceu em Campos do Jordão, no dia 13 de dezembro de 1972, às 23:45 horas, assistido por suas Irmãs, chefiadas por Odete Freire e pelos seus médicos e amigos, Drs. Franklin A. Bueno Maia e Alfonso Chung Zumaeta, aos 77 anos, e desde então, devido a importância de seu trabalho com o povo, existem espalhados pela região algumas creches e ruas que levam o seu nome, com o intuito de homenageá-lo. 

Em sua homenagem póstuma, a via de acesso ao Sanatório São Vicente de Paulo, passou a ser denominada de “Rua Monsenhor José Vita”, e bem assim a Escola de 1° Grau de Vila Abernéssia. Apagara-se uma luz na terra, e começou a brilhar mais uma estrela no céu.
A frase mais conhecida e citada pelo Padre Vita era: 
"As crianças são as flores perfumadas no jardim de Deus"


 Simão Cirineu Saraiva



Simão Cirineu Saraiva, figura de destaque no município, um dos pioneiros de Campos do Jordão, filho de escravos, foi criado pela família Macedo Soares, considerado irmão de criação. Chegou na década de 1910 e foi amigo e homem de confiança do Embaixador José Carlos de Macedo Soares, responsável pela urbanização da Vila Capivari, que o contratou como encarregado daquelas obras. Construiu o primeiro reservatório de água de Campos do Jordão, no manancial, obra executada pelo construtor Floriano Rodrigues Pinheiro. Trabalhou nas obras da construção do Grande Hotel de Roberto Backer, posteriormente adquirido por Roberto Simonsen e, transformado na famosa Vila Simonsen. Foi, ainda, administrador do primeiro cemitério da cidade e, em 1937, foi designado como agente dos Correios e Telégrafos, pelo embaixador Macedo Soares, cargo que exerceu por muitos anos e no qual se aposentou. Foi casado com Brasília Maria de Lourdes Saraiva. Esta, morre aos 69 anos de idade, em 1953.

Simão Cirineu Saraiva foi em Campos do Jordão, agente de correio, prefeito, delegado, datiloscopista e lutou muito pelo progresso da cidade. O que Campos do Jordão necessitava, ele pedia ao embaixador Macedo Soares e a cidade recebia.

Simão não era tuberculoso mas sofria de úlcera no estomago. Descobriu que a água de uma mina localizada em Capivari, no caminho da Vila Inglesa, lhe fazia bem e aliviava as dores. Passou a beber, diariamente, a água da fonte e foi curado da úlcera. Suas águas puras foram consideradas de valor terapêutico para doenças estomacais. A mina ficou famosa e conhecida por Fonte Simão, à beira da Avenida Roberto Simonsen. 

Em março de 1930, um grande acontecimento agitava os moradores de Vila Capivari, pois era inaugurada a Capela de São Benedito. Estavam presentes o casal Macedo Soares, doadores do terreno, que receberam homenagem da Irmandade de São Benedito, presidida por Simão Cirineu Saraiva. A Primeira festa da capela São Benedito ficou a cargo do festeiro Simão Cirineu Saraiva, figura de projeção no lugar.


À sua memória, a prefeitura municipal homenageou esse personagem da história jordanense, reconhecendo seus inúmeros serviços e benefícios realizados, instituindo a medalha “Simão Cirineu Saraiva”, - um dos grandes símbolos da cultura negra em nossa cidade.



  O Carnavalesco, Orlandinho.

Durante as festividades carnavalescas, o folião ORLANDO GARCIA DE MELO, conhecido popularmente como Orlandinho, desfilava pelas avenidas centrais de Vila Abernéssia com a maravilhosa fantasia que lhe valia o prêmio de primeiro lugar. Com alegria desmedida, empunhava o troféu recebido, acompanhado de foliões, também fantasiados, pertencentes ao seu grupo. Exibia, nos desfiles carnavalescos dos quais participou, suas belas fantasias, muitas até bastante simples, porém elaboradas de acordo com suas possibilidades financeiras bastante diminuta e acanhada, fazendo parecer, especialmente para ele – creio que sua maior preocupação – a mais linda e preciosa fantasia do mundo.

Orlandinho, era filho de Nhá Chica, como era conhecido por todos em Campos do Jordão.

Era uma pessoa calma e tranquila. Nunca escondeu, de forma alguma, sua preferência homossexual. Sempre muito educado, costumava vestir-se com roupas tradicionais masculinas, principalmente o paletó, somente demonstrando ser diferente através da sua voz e trejeitos femininos quando falava e, um pouco, quando caminhava.

Sempre muito prestativo e conhecedor dos principais passeios turísticos de Campos do Jordão, ficava à procura de grupos de turistas, oferecendo-se como cicerone. Durante muito tempo conseguiu angariar algum dinheiro para seu sustento, sempre reservando alguma pequena parcela para possibilitar a confecção das suas fantasias, visando desfilar, durante as festividades carnavalescas, pelas ruas e avenidas de Vila Abernéssia – acredito ser seu maior sonho durante toda sua vida, depois de adulto. Nessas oportunidades, aproveitava para fazer aflorar largamente seu lado feminino. Também era tido como competente e excelente faxineiro. Muitas pessoas que costumavam contratá-lo para fazer faxina em suas residências diziam que a limpeza que ele fazia era, muitas e muitas vezes, superiores àquelas feitas pelas faxineiras. Diziam que as casas ficavam totalmente limpas e maravilhosas. Também, parte desse dinheiro que ganhava com esses serviços era reservada para suas fantasias carnavalescas.

Morou por vários anos no conhecido loteamento popular Monte Carlo, situado no caminho de acesso ao tradicional e antigo Sanatório Ebenezer, e Hotel Umuarama, nas proximidades da antiga represa que canalizava água para geração de energia elétrica da Usina Evangelina Jordão, de Vila Abernéssia, durante as décadas de 1930 até 1960. Durante todo o tempo em que morou nesse loteamento, mantinha grande preocupação com toda comunidade carente que lá residia. Com algumas economias guardadas com muita dificuldade e ajuda de amigos a quem recorria, conseguia elaborar, nos meses de dezembro, na semana que antecedia o Natal, com ajuda de amigos, um almoço simples, porém bastante nutritivo e substancioso, normalmente uma lauta macarronada com molho de frango ensopado, que era servida à comunidade carente do bairro. 

No dia 16 de abril de 2010, infelizmente, Orlandinho morreu no hospital são Paulo, onde estava internado, algum tempo após as festividades carnavalescas. Campos do Jordão ficou triste. O Carnaval de Campos do Jordão sente a falta irreparável do saudoso Orlandinho. 

Agora, não temos mais, desfilando garbosamente pelas ruas e avenidas centrais de Vila Abernéssia, com suas maravilhosas e inesquecíveis fantasias, a figura tradicional, alegre, entusiasmada e querida do Orlandinho.

Alguns anos se passaram, e até agora, lamentavelmente, as investigações não conseguiram chegar a uma conclusão sobre o autor ou autores do infausto crime. Uma coisa é certa, o Carnaval de Campos do Jordão, há muito tempo, de ano para ano, vem perdendo aquele brilho especial que já chegou a projetá-lo como um dos melhores carnavais da região, sendo procurado por foliões vindos de várias cidades do Estado de São Paulo e até do Rio de Janeiro. 

A Prefeitura Municipal de Campos do Jordão homenageia ORLANDO GARCIA DE MELO, o carnavalesco Orlandinho, promulgando uma Lei que dispõe sobre a denominação de uma via Pública no Bairro Monte Carlo que leva o seu nome.



                                                                                                                    Jagobo Pan

Jaume Gonzalez Bover, Jagobo Pan, abreviatura e nome artístico utilizando as primeiras sílabas do seu nome e PAN, criado por ele, significando Por Amor à Natureza, foi um Pintor espanhol, nasceu em Barcelona, em 1922, mas nunca se considerou espanhol, mas sim catalão.  Ele era filho de Eladio Gonzalez e Maria Luiz Bouve.

No Brasil, participou dos VII e IX Salões nacionais de Arte Moderna (Rio de Janeiro, 1958 e 1960), V Bienal de São Paulo (1959), II, IV e V Salões do Trabalho (SP, 1963, 1965 e 1966), II Salão de Arte Moderna do Distrito Federal (1965), XXIII Salão Paranaense de Belas Artes (1966), I Bienal Nacional de Artes Plásticas (Salvador, 1966), etc.

Jagobo, o pintor. Jagobo, o fotógrafo artista. Jagobo, nascido em Catalunha, na Espanha distante, e que se fez jordanense a exemplo de uma enorme parcela da nossa população, Jagobo Pan ofereceu à arte muito da sua própria vida, plena de sensibilidade à beleza das flores que enfeitam os campos, de amor ás matas cuja quietude reflete a paz da sua alma, de apego ao afago do luar que ele sabe como sentir com toda a suavidade.

Em 1981, o artista fotógrafo registrou vários momentos da vida cotidiana e o resultado de seu trabalho foi apresentado em mais de 30 fotos que ficaram expostas em tradicional galeria da capital paulista. Sua arte merece nossos aplausos. Jagobo é digno de nosso respeito.

Infelizmente, adquiriu tuberculose e se internou em Sanatorinhos (S-3), em Campos do Jordão onde foi desenganado pelos médicos, mas o clima Jordanense o ressuscitou para a vida, fazendo-o ingressar em uma fase mística. Encanta-se com a natureza jordanense e começa a ensinar as artes das tintas, tornando-se professor da Prefeitura Municipal até 1967. Durante boa parte da sua vida morou em humilde choupana situada no Morro das Andorinhas, em Vila Abernéssia, atrás do Mercado Municipal. Andava muito pela cidade toda, sempre com sua sacola e seu guarda-chuvas.

Foi nomeado Presidente do Conselho Municipal de Cultura e o Espaço Cultural do Banco do Brasil, à época, instituiu o “Prêmio Professor Jagobo” para o melhor artista revelado na Estância.


O momento mais emocionante de sua vida foi quando encontrou o oceanógrafo Jacques Cousteau em Campos do Jordão. Em vida, o seu nome foi dado a uma via pública.
Seu nome consta de vários dicionários entre eles o “Delta Larousse”, o INL – Instituto Nacional do Livro e o MEC – Civilização Brasileira do Ministério da Educação e Cultura.
Sofreu um acidente automobilístico em 1967 e ficou impossibilitado de trabalhar, mas mesmo assim vivia por teimosia, com a vestimenta pobre, cabelos compridos e barba abundante. Faleceu em Campos do Jordão em 16 de abril de 1996.

Fonte:
Jornal Campos do Jordão notícias, de maio de 1981, Ano VI, nº 67

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