Cosmovisão

Fé e Ciência

A fé independe de evidências. Aliás até pelo contrário; não preciso de "fé" para acreditar na existência da lua, na gravidade ou no fato de que precisamos respirar, pois isso é evidente. Minha fé é justamente uma certeza sem evidências. Creio naquilo que as Escrituras Sagradas dizem. Não preciso me esforçar para crer na doutrina cristã. Apenas creio! Simples assim, como a água.

Como historiador, cabe-me o papel de Tomé; preciso ver para crer, pois, a Bíblia não se baseia num pressuposto de fé, mas na confrontação de dados empíricos e ideológicos selecionados, cruzados, seriados, todos fornecidos pela documentação, com as informações colocadas pela bibliografia concernente ao objeto de estudo, sempre no intuito de se fazer a relação do texto para com o contexto no qual ele foi produzido. Uma fonte historiográfica riquíssima, e não podendo ser desprezada pela erudição moderna, corre-se o risco de atitude preconceituosa e leviana, tendo em vista o seu valor na elaboração do mundo ocidental contemporâneo. Seus textos têm sido lidos como documentos históricos iguais a quaisquer outros - no caso, que preservam informações antigas e importantes ao mesmo tempo em que possuem uma redação tardia e tendenciosa. A leitura da Bíblia envolve a mobilização de instrumentos de crítica que ajudem a ler o documento de forma objetiva – procedimento igualmente aplicado a qualquer tipo de estudo histórico. Aceito-as como fonte histórica confiável. Encaro a no ponto de vista historiográfico. Tenho bem claro minha condição de cientista e mantenho neutralidade e equidade em relação aos fatos que analiso, não deixando minhas convicções religiosas ou de outrem, interferir em minhas análises sobre os eventos pesquisados. Sendo indiferente, neutro, ao julgar os fatos históricos, não é querer ser um novo Pilatos; entre Deus e o diabo, entre a Igreja e a anti-Igreja, é preciso tomar partido por Deus e pela Igreja, pela verdade.

A Bíblia sagrada dos cristãos não advoga para si a definição de “Documento Histórico”, este conceito não era peculiar aos seus autores. Não se encontra em seus escritos apenas uma tentativa de fidelidade histórica, ainda que isto lhe seja inerente, mas é possível descobrir que seu interesse é religioso, ou seja, concepções religiosas permeiam a narrativa bíblica. A Bíblia não é em hipótese alguma um “Documento Histórico”, ainda que este conceito traga inquietação e perturbação, muito pelo contrário, não se pode domesticar o “texto sagrado” a um mero conceito, a Bíblia vai além de conceitos e formulações. Não se pode desprezar, porém, que isto se dá em um momento histórico definido, portanto, fé e história se entrelaçam, criando assim um ambiente riquíssimo para o historiador moderno.

O cristianismo tem evidências históricas que ratificam sua veracidade. A fé possui raízes históricas que não podem ser ignoradas. A própria Bíblia apresenta todo um conjunto de conceitos nos quais a fé veterotestamentária e neotestamentária são postas como tendo fundamento histórico. Creio e encontro todo um sistema de argumentação racional sobre a validade de minha crença, além do que posso encontrar, nos anais da história e nas descobertas arqueológicas, comprovações de muitas citações bíblicas sobre o modo de crer, viver, legislar etc. dos povos que viveram no tempo que estes escritores descreveram suas histórias ou comporam suas poesias e hinos.

Minha fé é pautada e nutrida tanto por uma visão teleológica da história como também por um forte senso sobre a realidade da providência divina. Está acima de qualquer ofício. E a moral exige que se defenda a verdade. E a verdade é que, na História, a Igreja é crucificada, como Jesus o foi no Calvário.

Antes de ser historiador, sou cristão. Quando eu morrer não serei julgado por Deus como historiador, mas como batizado. Não farei um exame profissional. Não tenho uma confiança cega, por ausência de evidências, ou mesmo diante delas. E, como historiador, não estou destruindo minha fé em nenhum momento, e abandonando os paradigmas deste ofício em prol da defesa da fé. A ciência não anula a fé. Não existe conflito entre fé e ciência. Infelizmente, a ciência tem a capacidade de abordar apenas o que é material, e tentar utilizar a ciência para negar a fé é fazer mal-uso do método científico além de demonstrar uma ignorância histórica sem precedentes.



Uma Fé Sustentada por Fatos

A esperança cristã está baseada em fatos, o fato do Cristo histórico que nasceu no espaço e no tempo, o fato de que o Novo Testamento, apesar de desde o Imperador Domiciano sofrer duros ataques, dos inimigos da cruz de Cristo, ainda continua sendo um documento histórico cheio de verdades. O fato da ressurreição de Cristo, agente transformador de muitas vidas desde os primórdios até hoje, fato que atesta a veracidade da mensagem cristã do triunfo de Cristo sobre a morte. 

A esperança cristã pode sofrer duros ataques, mas que documento antigo tem mais evidências em manuscritos do que a Bíblia Sagrada? Em tal ordem foi o tempo favorável, que mesmo seus primeiros inimigos contribuíram para a evidência a seu favor. 

Milhares de escritores já no primeiro e segundo séculos descreveram a verdade sobre os fatos bíblicos, outros argumentaram desfavoravelmente, provando que era um fato a existência em potencial da fé cristã e a convicção concreta dos seguidores de Cristo, que em meio as duras provas e perseguições, insistiram na veracidade da mensagem cristã. Não! Nenhum movimento espiritual passou pela prova de sobrevivência como a Bíblia, o Cristianismo e o povo Judeu. Sejamos coerentes, e estudamos todos os fatos sobre esse assunto. Você acha que os ateus passariam pelas duras provas de fogo que passaram os cristãos para sustentarem suas convicções?

Muito fácil é expor ideais e ideologias sob a plataforma de uma universidade cheia de incrédulos. Muito fácil expor as ideias e as convicções sob o pretexto de uma boa sabedoria sem contudo passar pelo teste de fogo da fidelidade das convicções. Nós cristãos temos fatos históricos, nem o tempo e nem os inimigos conseguiram removê-los, estamos em pé, mesmo diante das dificuldades e dos duros ataques, desde que os verdadeiros cristãos sofrem as duras adversidades do confrontos dos inimigos da cruz de Cristo, sejam eles representando uma falsa religião ou a filosofia da incredulidade, porém a igreja e seus santos permanecem em pé, seguros dos fatos históricos, vigilantes em um mundo sem Deus, porque diante das verdades fundamentais do evangelho, alimentam a grande esperança de que Cristo retornará triunfante. Então o mundo perdido e condenado reconhecerá o senhorio de Cristo, porque escrito está que toda língua confessará e todo joelho se dobrará, reconhecendo que Cristo é o Senhor!

Referências:

Pr. C.J. Jacinto
http://claviojacinto.blogspot.com.br/2017/07/uma-fe-sustentada-por-fatos.html?spref=tw&utm_content=buffer2c2d8&utm_medium=social&utm_source=plus.google.com&utm_campaign=buffer


Pre-história, segundo a Cosmovisão Cristã


O conceito de pré-história foi elaborado no século 19, em um contexto de imperialismo europeu, que buscava justificativas para a dominação de povos mais “atrasados”. Nascia ali a definição de História associada ao início da escrita. Logo, tudo o que antecede o registro dos documentos mais antigos – em cuneiforme mesopotâmico e hieroglífico egípcio, datados de 3.200 a.C) – é classificado como pré-história. 

A escrita, sem dúvida, é uma fonte de informação mais rica do que um artefato sem sinais gráficos, mas, na ausência de documentos, o  caminho é recorrer à cultura material (cerâmicas, pinturas e artefatos), campo da Arqueologia, e aos fósseis humanos, passatempo dos paleantropólogos. 

Para facilitar o estudo desse período que, segundo os evolucionistas, começou há mais de 1 milhão de anos, Christian J. Thomsen, em 1816, criou os termos Idade da Pedra (1 milhão a 3.200 a.C), do Bronze (3.200 a 1.200 a.C) e do Ferro (1.200 a.C até hoje). Seu insight aconteceu quando organizava os artefatos do Museu Nacional da Dinamarca e percebeu que esses três materiais predominavam nas ferramentas das civilizações mais antigas.

O problema das datas
Para os evolucionistas, o desenvolvimento tecnológico desses artefatos representaria a evolução cognitiva do homem. Teríamos avançado da pedra para o ferro, do simples para o complexo. Já os criacionistas entendem que essas ferramentas representam apenas o desenvolvimento cultural do homem, e não, o biológico. Isso explicaria por que, há poucas décadas, foram ainda encontradas comunidades isoladas que apresentaram hábitos e organização social dignos da Idade da Pedra. Para os criacionistas, o período da pedra, do bronze e do ferro não foram necessariamente sucessivos e longos, mas contemporâneos. 

Os que questionam a cronologia evolucionista se mostram mais cautelosos quanto aos métodos de datação. “Para datar a idade relativa de um vestígio de osso orgânico, não fossilizado, é usado o C14, mineral radioativo que tem uma vida média de desintegração que chega a 5.750 anos. Portanto, uma idade maior do que essa, está sujeita a toda dúvida”, pondera o professor Rúben Aguilar, doutor em Arqueologia pela USP. 

Fósseis
Se a Arqueologia tem suas limitações para reconstituir a Pré-História, com o estudo dos fósseis humanos não é diferente. Entre os paleoantropólogos a evolução é unanimidade, mas as divergências são quanto às linhagens macaco-humanas. Quem afirma isso no artigo “A busca dos ancestrais de Adão”, na revista Diálogo Universitário,1 é a Dra. Elaine Kennedy, Ph.D em Geologia pela Universidade do Sul da Califórnia (EUA). 

A Dra. Kennedey aponta lacunas da teoria evolucionista nessas três  áreas: paleoantropologia, filogenética e antropologia molecular. Na paleoantropologia, há dificuldades quanto à classificação dos fósseis em uma linhagem ascendente que chegue até o homem moderno. O homo habilis, por exemplo, foi identificado como homo em função apenas dos artefatos que foram encontrados próximos a ele, e não por andar ereto, como é o padrão de classificação desse grupo. 

A dificuldade de organização dos cladogramas, diagramas em forma de árvore ramificada que procuraram mostrar as relações de parentescos dos seres vivos, também é enfrentada pelos filogeneticistas. Segundo a Dra. Kennedy, há pelo menos sete cladogramas, e os evolucionistas costumam optar por aquele que mais favorece a evolução. 

No campo da antropologia molecular, que estuda as semelhanças de proteínas e DNA dos hominídeos, a tese questionada é de que o tempo teria cuidado da diferenciação entre os símios e o homem (cerca de 5 a 7 milhões de anos). Os evolucionistas não sabem dizer quando as espécies afins teriam se separado geneticamente. O start de um possível “relógio molecular”, que funcionaria num ritmo constante de mudança do DNA, é a suposição deles. 

A Dra. Kennedy conclui que boa parte dos métodos utilizados e das  interpretações feitas são condicionados pelo ponto de partida evolucionista e que esse mosaico de características dos fósseis torna difícil a classificação deles pelo conhecimento disponível hoje. 

Outro olhar
Os criacionistas olham de maneira distinta esses mesmos fósseis. Entendem que parte deles se trata de símios extintos e, os demais, de seres humanos com deformidades e de raças que conviveram e tiveram sua diferenciação determidada pelo isolamento geográfico, adaptação ao clima e cruzamento genético. 
“Os erectinos parecem ter sido humanos. Talvez sofreram os graves  efeitos da reprodução no seio da família e de um estilo de vida prejudicial. Os australopitecos podem ter sido um tipo extinto de macaco. Eles não parecem ter relação com as espécies atuais”, explica o paleontólogo Dr. Raul Esperante, pesquisador do Geosciente Research Institute (GRI), instituição da Igreja Adventista, com sede na Califórnia (EUA).

Quanto aos australopithecus, mais conhecidos como a Criança de Taung e Lucy, segundo o Dr. Esperante, foram símios extintos. “Eles eram muito semelhantes aos seres humanos, mas tinham um cérebro do tamanho de um chimpanzé e algumas características que sugerem que viveram em árvores”, completa o Dr. Esperante. 
Já em relação aos neanderthais, ele afirma: “Provavelmente, eles viveram em cavernas. A forma de seu crânio é diferente da atual, e a capacidade cerebral é maior que a do homem moderno. Eles formaram uma cultura, eram altamente inteligentes e possuíam alguns traços típicos decorrentes, talvez, das adaptações ao clima e à mastigação de alimentos difíceis. Ao que parece, foram mais fortes do que nós.”

O que é um homem?
Essa interpretação criacionista tem como base a definição do que é o homem e a dificuldade de encaixá-la nas linhagens evolutivas. “Uma abordagem prática é colocar um fóssil dentro da categoria homo quando a massa e a proporção corporais, as dimensões dos dentes e as adaptações do esqueleto mostram maior semelhança com os humanos modernos do que com os fósseis australopitecinos”, esclarece o Dr. Ronny Nalin, pesquisador do GRI e Ph.D em Ciências da Terra pela Universidade de Pádua, na Itália. 

Partindo desse referencial, o Dr. Nalin diferencia dois supostos ancestrais do homem. Para ele, o homo habilis está mais para australopitecinos do que homo, porque apesar de andar sobre dois pés, tem braços semelhantes aos de macaco, enquanto a estrutura física do Neanderthal se parece com a dos esquimós. Por isso, alguns pesquisadores brincam que, se um Neanderthal barbeado, de terno e usando um iPhone entrasse no metrô de Nova York, passaria despercebido. 

Homem das cavernas
Ao que tudo indica, o Neanderthal foi o homem das cavernas. Para os criacionistas, ele foi humano e habitou nas grutas da Europa e Ásia oriental. O Dr. Nalin cita, por exemplo, um estudo publicado na prestigiada revista Science, em 2010, que mostra que algumas populações de hoje carregam em seus segmentos genômicos de DNA vestígios dos neanderthais.2 “Se dois organismos podem cruzar e produzir descendentes férteis, eles pertencem à mesma espécie. Portanto, o Neanderthal pode ser considerado humano”, confirma o pesquisador. 

Os criacionistas ressaltam que escolher as cavernas como casa e ter hábitos da Idade da Pedra não são exclusividades dos habitantes da Pré-História. “Os homens das cavernas são homens que viveram ou talvez ainda vivam em cavernas, já que essa condição de vida faz parte da história humana até períodos recentes”, justifica o Dr. Rubén Aguilar, fazendo referência a algumas comunidades descobertas nas últimas décadas no interior da África e nas ilhas do Sul do Pacífico. 

Modo de vida
Se a identidade dos homens das cavernas está mais ou menos definida, faltam informações sobre o modo de vida desses grupos. O professor Matusalém Alves Oliveira, coordenador do Núcleo de Estudos Pré-históricos da UEPB, tem se dedicado a estudar e ensinar o tema, ainda pouco explorado pela literatura criacionista. Em seu livreto A Pré-História na Perspectiva Criacionista, ele faz referência aos livros do naturalista Harry Baerg, autor do clássico criacionista O Mundo já Foi Melhor

Para Matusalém, os homens das cavernas foram os marginalizados da Pré-História, pessoas que por doença ou inadequação social foram expulsas das sociedades estabelecidas, tendo assim que viver em lugares isolados. As cavernas, segundo o professor, têm as condições climáticas ideais para preservar o que esse grupos registraram. 

O que esses desenhos mostram, via de regra, são os hábitos de caça e pesca como atividades de sobrevivência e ritos religiosos. “Nos lugares mais particulares das cavernas eram oferecidos sacrifícios aos deuses, suplicando a eles por sucesso nas caçadas ou a manutenção da fertilidade”, descreve o professor, que tem alguns artigos publicados sobre a arte rupestre da Paraíba. 
“Alguns grupos mais estabilizados e com nível cultural mais elevado construíram habitações mais permanentes, cultivaram a terra e domesticaram animais. Em certos lugares da Europa, houve uma religiosidade mais elaborada, como mostram os megalíticos de  Stonehenge”, exemplifica o professor. Matusalém também cita textos bíblicos que dão pistas sobre a organização social desse período. Segundo ele, há referências sobre grupos isolados que viviam em cavernas (Jó 30:3-8); e da criação de animais, cultivo da terra, desenvolvimento musical e urbano e uso da metalurgia em tempos bem remotos (Gn 4:16-24). 

Perguntas sem resposta
No fim das contas, o que é certo sobre a Pré-História é que ainda faltam muitas peças do quebra-cabeça. Os criacionistas se perguntam: Onde estão os fósseis dos homens gigantes que habitaram a Terra ou dos que foram mortos no Dilúvio? Ou porque os fósseis aparecem nas camadas estratigráficas, organizados como se realmente tivessem evoluído? 

Os evolucionistas, por sua vez, também coçam a cabeça em busca de respostas. As transições-chave da linhagem evolutiva não foram demonstradas de forma inequívoca. O elo ainda está perdido? Ou por que o homo sapiens demoraria milhares de anos para dominar ferramentas rudimentares e passar a escrever? 

Essa ignorância parcial sobre nosso passado tem seus benefícios, conforme argumentou Gary W. Burdick, Ph.D em Física pela Universidade do Texas, em seu capítulo do livro Mistérios da Criação.3 Burdick lembra que a humildade é fundamental no estudo das ciências e da Teologia. 

“Não devemos nos surpreender se as tentativas de conciliar a ciência com a Teologia nos levarem a mais perguntas sem resposta. Isso não quer dizer que a ciência e a Teologia estejam em guerra ou que um lado deva ser o vencedor; e o outro, o derrotado. Ao contrário, isso nos dá mais uma indicação de que Deus e a realidade são maiores do que nossa compreensão”, argumenta, insistindo que a pesquisa em ambas as áreas deve continuar. 

Mas, Burdick lembra que talvez algumas questões nunca serão respondidas pela ciência, nem pela teologia. Para essas perguntas, os cristãos parecem levar mais uma vantagem. A mensagem central do evangelho é a salvação e não as explicações sobre a realidade que nos cerca. Logo, ainda que o homem não mate suas curiosidades intelectuais, a solução para suas necessidades existenciais já existe e está disponível. Quem acredita no relato da Bíblia sobre a Pré-História, tem uma visão antecipada do quadro completo e não se desespera quando uma peça ou outra parece não se encaixar. 

Referências
1 Kennedy, Elaine. “A Busca dos Ancestrais de Adão”, Diálogo Universitário 8(1), 12-15, 34.
2 R. E. Green et al., “A Draft Sequence of the Neandertal Genome”, Science 328 (2010): 710-722
3 Gibson, L. James e Rasi, Humberto M. (orgs.), Mistérios da Criação (CPB, 2013).

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