O Tempo como História

Compreender a história como algo já determinado empobrece minha alma, definha minha vida, elimina meus horizontes, sufoca minha espiritualidade... Há os que preferem compreender a história como uma realidade já determinada, escrita e definida por Deus. Estes entendem que a vida não passa de uma sucessão de fatos, bons ou ruins, que, simplesmente, concretizam historicamente o livro escrito pela inapagável caneta divina. Para tais, os dias futuros já estão marmorizados, e, intocáveis, seguem o trilho do destino implacável. A morte, o fim de um relacionamento amoroso, a perda do emprego... Tudo segue um destino já determinada antes da fundação deste mundo, antes da possibilidade de nossas vidas - se é que podemos chamar de “nossas” a partir desta ótica.

Não, não consigo imaginar Deus como um microgerenciador de tudo o que ocorre. Os gregos é que compreenderam a história como um destino implacável, incapaz de ser alterado por homens e mulheres. Muitas religiões compreendem que a história já está previamente escrita (Maktub), e nada poderá ser apagado ou reescrito. Frei Betto, em sua obra, a mosca azul, escreve: “[...] os hebreus nos transmitiram, através do Antigo Testamento, esta ideia-forte de que tempo é história. [...] Jesus via o tempo histórico como construção do Reino de Deus [...] Graças a essa herança judaica, a visão cristã imprime historicidade ao tempo.” Jesus é um Deus que ainda está escrevendo histórias e deixando que histórias sejam escritas mesmo sem a sua participação. E para os que desejam construí-la em sua parceria, está ai “o motivo porque oro, anuncio o Evangelho e tento semear atos de justiça” (Ricardo Gondim). Oro para que em comunhão com Ele, possa construir meu futuro pautado em seus valores e sua vontade. Anuncio o Evangelho para que aqueles que constroem suas histórias sem a sua companhia, possam convidá-lo à participar desta jornada chamada vida. Semeio para que as sementes da justiça possam um dia serem colhidas em um futuro que ainda está aberto para arrependimentos, para construções. Ainda que eu não veja os frutos destas sementes em vida, partirei consciente que a história ainda estará sendo construída, possibilitando o seu crescimento e a sua colheita: “Sei que não haverei de participar da colheita. Mas faço questão de ficar ao lado dos que lançam, ainda que em terra árida, as sementes de um futuro melhor” (Frei Betto).

A vida de Jesus é o maior exemplo de que a história continua sendo desenhada e colorida. Mesmo após sua ascensão, a história continua aberta e suas páginas brancas e livres para à próxima criação. Cristo confiou aos seus discípulos a continuidade em liberdade de suas histórias, e não impediu àqueles que não o aceitaram de continuarem seus caminhos. Esperança só se torna possível onde o tempo se define como história. Onde a possibilidade de novos dias possam ser sonhados, desejados, e, quem sabe, vivenciados
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"Deus resolve tudo o que acontece na história, inclusive a duração das coisas. Deus é Senhor da História. A História não acontece por acaso. No nosso vocabulário não deveriam existir as palavras sorte, azar, acaso. Nada acontece por acaso e nem o desenvolvimento da própria História. Deus está no controle de tudo".

"Deus conduz a história de duas maneiras: inspirando ou permitindo. Felizes os homens e as nações que ouvem o conselho divino, são inspirados por Ele e constroem uma história de vitórias e triunfos. Mas quando o ser humano teima em desobedecer e, usando a liberdade que Ele lhe deu, anda nos seus próprios caminhos, Deus permite os fracassos e as derrotas, porque respeita a vontade humana. Porém, apesar de tudo, Ele continua no controle final da História".

"A fé leva ao passado, para apresentar um futuro melhor e viver bem o presente". "A história é um processo cíclico, argumenta Sócrates. A história é linear e leva a um alvo desejado por Deus, proclamam os profetas bíblicos".


A história como o desdobramento da obra de Deus

Eusébio, bispo de Cesareia e primeiro historiador da Igreja Cristã, argumentava que os fios emaranhados do passado humano poderiam ser tecidos num todo racional, se a história fosse vista como uma preparação para o evangelho. Somente assim poderiam as incongruências da história, com toda sua dor e esperanças não realizadas, ser interpretadas como fazendo sentido dentro de um plano divino. Buscando sua inspiração principal em Paulo, Eusébio reconheceu na história um desígnio reconhecível. Para ele, a história avançava não à deriva, mas na direção de um alvo escolhido por Deus.

Isso não significa que a história prova o papel divino nos acontecimentos humanos. Mas a história em sua marcha inevitável em direção de um alvo divino revela Deus ao olhar da fé, do mesmo modo que a natureza em toda a sua beleza e dor revela Deus ao olhar da fé. Há suficientes evidências da providência soberana de Deus na história para sustentar a fé, mas nunca tão esmagadoras a ponto de compeli-la. Assim a história faz sentido para o crente, enquanto permanece um enigma obscuro para o descrente.

Como historiador cristão, vejo a história como um desdobramento da obra de Deus. Por meio de pesquisas, a cosmovisão cristã, busco pistas para compreender a minha vida e a das pessoas, sociedades e comunidades do passado. isso tudo, nos acontecimentos do presente, por meio da fé, que leva ao passado, para nos apresentar um futuro melhor, a vida abundante. São as lições da história, lições de Deus! A História é um olhar do presente para o passado. Tem como objetivo principal analisar e interpretar as ações dos seres humanos no tempo e espaço.

Historiador da Mantiqueira, tem como objetivo discutir o presente, olhando para o passado, apresentando textos sobre história regional da Serra da Mantiqueira e Vale do Paraíba, com destaque a Campos do Jordão, sem o rigor científico e metodológico que a pesquisa encontra nas Universidades. É um canal aberto para aqueles que gostam e dedicam-se a pesquisa, produção, publicação e divulgação de textos históricos, análises, resenhas, fichamentos, resumos, etc., dos mais diversos autores, independentes de sua opinião política, econômica ou social. Também tem a função de divulgar eventos, cursos, palestras, novas pesquisas e livros que tenham direcionamento na história. O Blog está dividido nas seguintes sessões: Portal, Historiador, Escritor, Campos do Jordão, Serra da Mantiqueira, Fontes Históricas, Galeria de Fotos, Crônicas, Biografias, Livro de Ouro e Contato. O internauta está convidado a explorar esse vasto conhecimento sobre a história na Mantiqueira.



Dia Nacional do Historiador


LEI Nº 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009. que institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.

O VICE–PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:


Art. 1º É instituído o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

O dia 19 de agosto foi escolhido em homenagem ao nascimento de Joaquim Nabuco – 19/08/1849. Nabuco foi diplomata, poeta, orador e memorialista durante o Império e, apesar de nascido em família escravocrata, se opôs à escravidão em muitos de seus escritos. Do seu nascimento até 2009, ano em que a lei foi aprovada, passaram-se 161 anos; antes tarde do que nunca, afinal: “um povo sem história, é um povo sem memória”.