Associação Comercial de Campos do Jordão

Sede da ACE
A Associação Comercial de Campos do Jordão, já vinha funcionando, regularmente, desde 07 de outubro de 1948, no Auditório da extinta Rádio Emissora.

O desenvolvimento notável do comércio em nossa cidade, estava a reclamar a criação de um órgão de classe dessa natureza, para defender os seus altos interesses perante os poderes públicos, sempre que isso viesse a se tornar necessário.

Uma associação dessa natureza reuniria em torno de si os representantes das classes produtoras, tornando-se, por via disso, uma força coesa e forte, impondo-se ao prestígio dos governos estaduais e municipais na defesa das classes que representa. A sua ação benéfica e construtora se fez sentir em todos os setores de atividade do município, quer vindo de encontro às mais elevadas aspirações do comércio, da lavoura e indústria, interferindo junto aos poderes públicos sobre qualquer reinvindicação pelos mesmos pleiteada, quer ainda influindo, de certo modo, na administração municipal, pelos assuntos que foram ventilados em seu recinto, pela boca de seus mais autorizados representantes.

Anúncio no Jornal "A Cidade", de 6 de março de 1949.
 Filiada à Associação Comercial de São Paulo, teria amplos recursos para prestar inestimáveis serviços aos seus associados. Mas para que possa levar a termo os seus objetivos, foi imprescindível que todos unissem fileiras em torno dela, amparando-a moral e materialmente. Tornou-se assim mais forte e prestigiada e seus fecundos resultados práticos refletem em benefício da própria coletividade.

Assim, essa entidade de classe foi inaugurada, oficialmente, no dia 13 de março de 1949, às 15 horas, com sede instalada no Palacete João Rodrigues Pinheiro (Irmão do construtor Floriano Rodrigues Pinheiro). 

No ato de inauguração, estiveram presentes todos os associados, representantes do comércio e indústria e os diretores da Rádio Emissora e do Jornal “A Cidade de Campos do Jordão”.

João Rodrigues Floriano
O Presidente da entidade, Luiz Alves de Souza, presidiu o ato solene, discorrendo sobre a alta finalidade da associação, que tinha como missão agregar os empresários locais para o fortalecimento e o desenvolvimento do comércio. Fez referência aos serviços por ela já prestados aos seus associados na sua curta gestão, entre eles a redução conseguida para o Imposto de Indústrias e Profissões. Salientou os trabalhos que estavam sendo desenvolvidos para se conseguir a instalação nesta cidade de uma filial do Banco do Estado de São Paulo e ainda, que o Imposto de Renda poderia ser pago ali mesmo, para o que já havia entendimentos com o Coletor Federal de São Bento do Sapucaí.

O Diretor do jornal “A Cidade de Campos do Jordão”, Joaquim Corrêa Cintra, congratulou-se pelos brilhantes trabalhos já apresentados pela Diretoria, hipotecando o inteiro apoio da “A Cidade”, para acompanhar de perto o desenvolvimento da agremiação em prol da coletividade. A sua primeira Diretoria ficou assim constituída:

Presidente: Luiz Alves de Souza;
1º Vice-Presidente: Sebastião Gomes Leitão;
2º Vice-Presidente: Pedro Paulo
1º Secretário: Orlando Lauretti;
2º Secretário: Alaor de Souza Ablas;
1º Tesoureiro: Salathiel de Oliveira;
2º Tesoureiro: Victor Gonçalves.

No decorrer de sua existência, a ACE contou com a colaboração de doze presidentes.

Conselho Consultivo:
Júlio Domingues Pereira, Joaquim Corrêa Cintra, Américo Richieri, João Alves Teixeira, Paulo Cury, André Vicente Cazzariga, Nabi Narche, João Barbosa de Carvalho, Aziz Maluf, Bráulio Almeida Ramos Filho, Dr. Osório P. de Oliveira e Domingos Pelegrino.


Hoje, a ACE participa de decisões importantes em defesa do empresário local, promove ações de fomento e de capacitação empresarial e é atuante em diversos Conselhos Municipais entre eles COMTUR – Conselho Municipal de Turismo. Além disso, promove ações de interesse do comércio e está sempre atenta a situações que possam causar prejuízos ao comércio local associado. Entre seus serviços e produtos estão as consultas de crédito, treinamentos cursos e palestras, consultoria jurídica e de comunicação, convênio médico e odontológico e parcerias com empresas associadas que oferecem vantagens aos demais associados, informativo impresso mensal com informações de interesse do comércio, entre outros serviços.

Fonte bibliográfica:

CINTRA, Joaquim Corrêa. Associação Comercial de Campos do Jordão: Inauguração. A Cidade de Campos do Jordão. Campos do Jordão, 13 mar. 1949. p. 1-4.
                                                          Função Social do Historiador

A função do historiador não é amar o passado ou emancipar-se do passado, mas dominá-lo e entendê-lo como a chave para a compreensão do presente”. (Carr, p. 61). Formar jovens questionadores, cidadãos que não aceitem o consenso dominante, que estejam dispostos a se contrapor à hegemonia dos setores dominantes.

O historiador tem, desde a antiguidade, um papel social. A função de procurar e transmitir conhecimento, decifrar enigmas do passado, da conduta humana, explicar porque determinados fatos aconteceram numa determinada época, determinar quais as nossas origens, o nosso passado, e que repercussões tem no presente ou as possíveis influências no futuro. 

O papel social do historiador é o de transmitir, dar a conhecer e consolidar um passado comum. As raízes e o percurso efetuado desde as origens até aos nossos dias. Contribuir para que o futuro seja orientado com base no passado. Mas não se lhe pode exigir que seja o mentor do que fomos do que somos ou do que seremos. Não se lhe pode pedir que opine. Que julgue. Que avalize as decisões, os acontecimentos ou as transformações ocorridas. A história mostra-nos que não se aprende com o passado. Que o fato de conhecer as nossas origens, o nosso percurso não faz de nós o que somos nem nos orienta no que seremos. Não é pelo fato de conhecermos o passado que melhoramos o futuro. Não é porque se cometeram erros que os mesmos não se repetirão. No entanto o reconhecimento desses fatos, o revisitar tempos e situações porque a humanidade passou, contribui para que saibamos que nada é eterno. As crises sucedem-se, mas passam. Outras virão, é certo, mas também essas serão ultrapassadas, com mudanças! Com mais ou menos danos. Com maiores ou menores alterações, mas contribuindo para a construção do nosso percurso, da nossa história.

A pesquisa realizada pelo historiador é, nos dias de hoje, uma prática que se reveste de racionalidade, sentido crítico, sujeita a regras de ensaio e erro, condicionadas por um conhecimento rigoroso dos fatos ocorridos e das condicionantes existentes em cada situação, em cada época. Não compete ao historiador produzir conhecimentos passíveis de comprovação ou refutação pelos métodos da ciência experimental (FLORESCANO, 1977). Este sabe que as ações humanas não são mensuráveis a esse ponto. Que as mesmas são condicionadas por fatores tão diversos como os sociais, económicos, políticos, religiosos ou outros que inviabilizam o estudo das mesmas de um modo individualizado. O objetivo da história é a produção de conhecimento. O do historiador é fazer com que esse conhecimento seja objetivo, realista e o mais exato possível. Decifrar os enigmas da conduta humana e explicar o desenvolvimento social (FLORESCANO, 1978). 

Para tal serve-se dos métodos mais rigorosos que encontra ao seu dispor. A sua ação alarga-se à pesquisa da informação, à consulta das mais diversificadas fontes, ao cruzamento de dados que podem ser obtidos pelos processos mais variados. Não basta a consulta de manuais, de documentos descritivos dos feitos do passado. Não lhe chega saber qual o modo de vida, as conquistas ou as derrotas que foram alcançadas ou sofridas. 

O historiador interessado em conhecer a realidade da história está em constante pesquisa. Serve-se de documentos que lhe permitam aferir de todos os elementos necessários ao real conhecimento dos fatos. 

Quem fomos não é só o que está documentado nos manuais oficiais. Encontra-se também descrito nos mais ínfimos pormenores. Em documentos que, aparentemente, nada têm a ver com o percurso de um povo ou de uma nação. Há que aferir as alterações que se verificaram a diversos níveis. Desde o estudo da linguagem, da paisagística, do comércio, das migrações verificadas e que resultaram na mistura de culturas. Até fatos tão distantes do percurso civilizacional como sejam as alterações climatéricas, políticas, sociais entre outras. Para que consiga aferir da realidade do percurso da história o historiador obriga-se a uma constante procura, à imposição de normas essenciais em comunicação, em clareza de linguagem e de expressão, na transmissão de uma análise cuidada da história, do que fomos, do que somos, do que seremos…

Em suma, a função social do historiador passa por dar-nos a conhecer o passado. As origens. Os percursos que percorremos e que fizeram de nós o que somos, que nos integram numa sociedade, num grupo, numa cultura. Reconstruir fatos aparentemente isolados e interligá-los, confrontá-los, de modo a formar um todo, sem juízos de valor, sem tomar partido, julgar fatos ou pessoas; sem se deixar influenciar por opiniões, comentários ou documentos que leia, estude ou consulte, pondo de parte a sua própria opinião e tentando não se deixar condicionar pelo meio social, econômico e político em que está inserido, reconstruir percursos, contextos e situações; aferir de fatos que fizeram da sociedade o que ela foi, sem a pretensão de que esses mesmos fatos contribuam ou condicionem o que somos ou o que seremos.

O seu papel é, cada vez mais, o de ir além do que conhecemos, reconstruir um passado que vai além do conhecimento de reis ou dinastias. Um passado em que o homem adquire o estatuto de ser social, com qualidades e defeitos, capaz de grandes feitos, mas também com derrotas, que integra grupos não só de monumentos ou fatos “históricos”, mas de toda uma realidade que vai mais além. Que inclui povos, culturas, vitórias e derrotas; grandes feitos e pequenas realizações, mantendo-se, na medida do possível, imparcial pois as suas vivências e opiniões, são passíveis de condicionar o modo como vê, lê e reconstrói os fatos do passado, como os interpreta, como os transmite.

Assim como para nos defendermos em questões judiciais procuramos um advogado (formado); para questões de saúde um bom médico (formado); para fazer uma casa um bom engenheiro ou arquiteto (formados); para entendermos o processo social que levou a sociedade a ser o que é hoje precisamos de um bom historiador (formado). Não precisamos de amadores com efemérides, e lorotas sem consistência argumentativa e despautérios que podem agradar a quem não tem o mínimo de senso crítico e formação intelectual (e isso independe de questões de classe). 

Ser historiador não é ser copista, precisa ter formação e ética profissional. Tem aqueles que pensam que ser historiador é só ler e repetir “documentos” antigos. Não, isso não é ser historiador, qualquer um faz isso. Para termos uma ideia, vamos comparar a profissão de historiador com a de um médico. 

Os documentos (vestígios, indícios, testemunhos) são sintomas, não é a História. Assim como a febre, a dor de cabeça, dor de barriga não é a doença. Para compreender, interpretar e explicar os sintomas deve-se ter uma boa formação teórica de fisiologia, biologia, etc. 

O mesmo acontece com o historiador, ele tem que ter uma formação consistente em termos de técnicas, métodos e teorias interdisciplinares para interpretar os documentos históricos e construir o saber histórico. As “falsas histórias” e os “falsos historiadores” (charlatões) servem para construir falsas verdades, pois fundamentam suas explicações no senso comum. Constroem mitos e lendas que servem para alienar e tornar o povo imbecil. O verdadeiro historiador, lembrando os conceitos de Paulo Freire, parte do saber de experiência feito (senso comum) e procura a conscientização, que é o saber com método (cientifico).

O que faz um historiador? O historiador constrói um saber sobre o passado, sempre obedecendo a métodos e técnicas e com profundidade teórica para poder produzir a compreensão e a explicação de processos sociais. O historiador comunica suas pesquisas através de “narrativas” que podem utilizar os mais diversos recursos e mídias. O historiador dá aulas de História. 

O que não faz um historiador? Não guarda e organiza livros, isso quem faz é um biblioteconomista; não guarda e organiza documentos, isso quem faz é arquivologista; não guarda e organiza peças e objetos antigos, isso quem faz é museólogo. O historiador colabora com estes profissionais, ou somente na falta justificada destes o historiador acaba fazendo algumas destas tarefas, porém não é a sua área de atuação profissional.



LEI Nº 12.130, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2009.

Institui o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.

O VICE–PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no exercício do cargo de PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:


Art. 1º É instituído o Dia Nacional do Historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto.

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

O dia 19 de agosto foi escolhido em homenagem ao nascimento de Joaquim Nabuco – 19/08/1849. Nabuco foi diplomata, poeta, orador e memorialista durante o Império e, apesar de nascido em família escravocrata, se opôs à escravidão em muitos de seus escritos. Do seu nascimento até 2009, ano em que a lei foi aprovada, passaram-se 161 anos; antes tarde do que nunca, afinal: “um povo sem história, é um povo sem memória”.

A História é um olhar do presente para o passado. Tem como objetivo principal analisar e interpretar as ações dos seres humanos no tempo e espaço.



Historiador da Mantiqueira, tem como objetivo discutir o presente, olhando para o passado, apresentando textos sobre história regional da Serra da Mantiqueira e Vale do Paraíba, com destaque a Campos do Jordão, sem o rigor científico e metodológico que a pesquisa encontra nas Universidades. 



É um canal aberto para aqueles que gostam e dedicam-se a pesquisa, produção, publicação e divulgação de textos históricos, análises, resenhas, fichamentos, resumos, etc., dos mais diversos autores, independentes de sua opinião política, econômica ou social. Também tem a função de divulgar eventos, cursos, palestras, novas pesquisas e livros que tenham direcionamento na história.

O Blog está dividido nas seguintes sessões: Historiador, Escritor, Serra da Mantiqueira, Campos do Jordão, História, Fontes Históricas, Crônicas, Cosmovisão, Livro de Ouro e Contato. O internauta está convidado a explorar esse vasto conhecimento sobre a história na Mantiqueira.


A Serra da Mantiqueira é um verdadeiro presente de Deus para o Brasil, uma grande serra, muito conhecida na região sudeste, possuidora de vasta área verde no mapa. Uma cadeia de montanhas que se estende em três Estados: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 

Por abrigar quatro dos dez picos culminantes do Brasil é também conhecida como "O Himalaia Brasileiro". É a mais extensa das Áreas de Proteção Ambiental já declaradas pelo governo brasileiro, abrigando o corpo principal da Serra da Mantiqueira e se estende desde o Parque Estadual Serra do Papagaio, ao norte do Parque Nacional de Itatiaia, no Estado de Minas Gerais, até a Pedra do Baú, ao sul do Parque Estadual de Campos do Jordão, no Estado de São Paulo. A APA da Serra da Mantiqueira protege ecossistemas de encosta da Mata Atlântica, que garantem sua estabilidade geológica e preservam mananciais de água de grande significado social, e abriga campos de altitude de importância genética. Nela também persistem formas de cultura tradicional de grande interesse e beleza, caracterizadas por caboclos, que vivem segundo antigas tradições indígenas e ibéricas de enorme importância cultural e antropológica. É neste verdadeiro santuário que conheceremos diversas cachoeiras, uma das mais altas montanhas do Brasil e nosso mais antigo Parque Nacional.

Os desafios e inquietações da região são elementos primordiais para a composição e a produção dos textos que tratam dos municípios sob o domínio da Serra da Mantiqueira.